Tarifaço de Trump afeta eletrônicos? Entenda mudanças do mercado brasileiro
A recente tarifa de 25% imposta pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre os produtos brasileiros, levanta dúvidas sobre o aumento de preços dos eletrônicos no Brasil. No entanto, especialistas afirmam que o efeito direto no preço dos eletrônicos tende a ser pequeno, enquanto o câmbio e a guerra tarifária entre os EUA e a Ásia pesam mais no valor final.
Os eletrônicos, como computadores e smartphones, de marcas como Samsung, Apple, Dell e Lenovo, entraram na lista de isenções do tarifaço. Isso significa que as tarifas atingem o que o Brasil exporta, não o que chega à prateleira nacional, o que limita o efeito direto sobre TVs, celulares e notebooks no curto prazo.
Quais eletrônicos ficaram de fora da nova tarifa?
Boa parte dos produtos de tecnologia entrou na lista de exceções da tarifa de 25%. Entre os itens isentos aparecem computadores portáteis e unidades de processamento, teclados, scanners, unidades de armazenamento magnético, circuitos integrados, semicondutores, smartphones, monitores, projetores e aparelhos de transmissão de dados.
As isenções costumam refletir menos uma escolha política e mais a dependência da própria indústria americana de determinados insumos. No caso dos eletrônicos, os semicondutores foram incluídos nas exceções por uma razão estrutural.
Impacto para marcas como Samsung, Apple, Dell e Lenovo
Empresas com produção distribuída em vários países sofrem impactos diferentes conforme a origem da fabricação e dos componentes. A Samsung, por exemplo, fechou sua última fábrica de celulares na China em 2019 e hoje concentra a produção em Coreia do Sul, Vietnã e Índia.
A Apple, por outro lado, ainda concentrava cerca de 90% da fabricação do iPhone na China e teve que acelerar a migração para a Índia. A diversificação tem custo, e analistas estimam uma redução de 3 a 3,5 pontos percentuais na margem bruta da Apple no ano fiscal de 2026.
O consumidor brasileiro precisa correr para comprar?
Não há sinal de que seja necessário correr para as compras por causa das novas tarifas. O câmbio costuma ter efeito mais rápido no preço de prateleira do que qualquer mudança tarifária internacional. A antecipação por medo de tarifa tende a gerar distorção de curto prazo, como escassez e fretes mais caros, sem necessariamente confirmar uma alta de preço.
Para o consumidor brasileiro, a leitura das novas tarifas é mais tranquila do que o termo tarifaço sugere. Os eletrônicos entraram na lista de isenções, e as tarifas atingem o que o Brasil exporta, não o que chega à prateleira nacional.
- Monitorar a cotação do dólar e anúncios das marcas antes de antecipar compras de eletrônicos.
- Acompanhar possíveis tarifas sobre semicondutores e eventuais retaliações.
- Verificar as políticas de preços das fabricantes e os lançamentos futuros.
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