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Stranger Things: Um Final Seguro, mas sem Ousadia

O episódio final de Stranger Things chegou à Netflix com uma expectativa enorme, cercado pela pressão de justificar seu peso cultural acumulado desde a estreia, em 2016. No entanto, o resultado final ficou preso a um meio-termo, sem ousar o suficiente para deixar uma marca indelével.

A quinta temporada da série criada pelos irmãos Duffer foi alvo de críticas por se afastar do clima mais contido e misterioso dos primeiros anos, e o desfecho reforça essa percepção. A série optou por uma estrutura mais próxima de um espetáculo de ação, com um confronto final grandioso, mas previsível e sem riscos.

  • O confronto derradeiro contra Vecna (Jamie Campbell Bower) segue uma lógica quase mecânica, lembrando mais um chefe de videogame do que uma ameaça verdadeiramente perturbadora.
  • Falta surpresa e, principalmente, falta a sensação de que algo irreversível está em jogo.
  • Mesmo quando a série flerta com perdas mais duras, ela recua, mantendo um padrão antigo de evitar consequências definitivas para seus protagonistas.

Uma Cautela Excessiva

Essa cautela excessiva afeta diretamente o peso dramático da conclusão. Ao longo dos anos, Stranger Things construiu personagens complexos e relações intensas, mas o final opta por soluções confortáveis. A indefinição do destino de um personagem importante até funciona como ideia, mas também soa como uma saída conveniente para não assumir escolhas mais radicais.

No entanto, é no epílogo que a série mais se aproxima de seu antigo brilho. Ao desacelerar e focar nos vínculos entre os personagens, Stranger Things recupera parte da sensibilidade que marcou suas primeiras temporadas. O tom nostálgico, mesmo flertando com o exagero, ajuda a humanizar a despedida e dá espaço para momentos sinceros entre o grupo central.

No fim das contas, o encerramento deixa uma sensação agridoce. Não chega a comprometer totalmente a memória da série na Netflix, mas também não reforça seu legado. Stranger Things termina de forma correta, emocionalmente funcional, porém segura demais para uma produção que já foi sinônimo de ousadia.

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