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Ashburn, Virginia
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SFMOMA abre maior retrospectiva de Louise Bourgeois nos Estados Unidos em duas décadas

Retrospectiva de Louise Bourgeois no SFMOMA

A retrospectiva de Louise Bourgeois, aberta no Museu de Arte Moderna de São Francisco (SFMOMA), é uma exposição que chega na hora necessária. Com 83 obras reunidas, incluindo esculturas, instalações, desenhos e os chamados Cells, a mostra é a mais abrangente dedicada à artista franco-americana em território norte-americano em duas décadas.

O recorte curatorial da exposição privilegia a tensão entre o íntimo e o monumental, um traço que distingue Bourgeois de qualquer tentativa de enquadrá-la numa genealogia simples. As peças dos anos 1940 e 1950, biomorfismos verticais em madeira pintada que ela chamava de Personnages, já carregavam o vocabulário que se tornaria marca registrada da artista: formas que sugerem ao mesmo tempo abrigo e ameaça, proteção e aprisionamento.

Algumas das obras mais destacadas da exposição incluem:

  • A Maman, a aranha em bronze de quase dez metros que se tornou ícone reproduzido em museus de Bilbao a Tóquio
  • Os Cells, ambientes fechados que a artista produziu a partir dos anos 1990
  • As esculturas em látex, bronze e tecido que exploram a relação entre o corpo e o espaço

A montagem da exposição evita a armadilha hagiográfica comum a retrospectivas de artistas já canonizadas. Em vez de organizar a obra como trajectória triunfal, o percurso expositivo prefere a lógica das obsessões, o que torna mais legível a coerência de uma produção que atravessou quase setenta anos sem se repetir e sem se tornar marca.

O timing da exposição não é acidental. Num momento em que o campo das artes visuais americanas debate intensamente questões de representação corporal, violência doméstica e a politização da memória afetiva, a obra de Bourgeois surge com a vantagem de quem nunca precisou de tradução: ela já estava dizendo o que o presente só agora aprendeu a escutar.

A exposição do SFMOMA, ao apostar na densidade das obras em vez de no discurso que as cerca, parece consciente da armadilha da captura e, por ora, consegue desviá-la. A retrospectiva de Louise Bourgeois é uma oportunidade única para explorar a obra de uma artista que sempre resistiu a categorias e que continua a inspirar e a desafiar o público.

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