Gisele Bündchen: Uma Vida de Amor e Dedicação
Gisele Bündchen, uma das modelos mais famosas do mundo, compartilhou sua história de sucesso e dedicação em uma entrevista exclusiva. Com uma carreira que já dura mais de duas décadas, Gisele refletiu sobre suas experiências, desafios e conquistas.
Segundo Gisele, sua jornada como modelo começou quando ela tinha apenas 14 anos. Ela enfrentou muitos desafios, incluindo bullying na escola e a pressão de trabalhar em um ambiente competitivo. No entanto, sua determinação e foco a ajudaram a superar esses obstáculos e a se tornar uma das modelos mais bem-sucedidas do mundo.
A Importância do Amor e da Dedicação
Gisele destacou a importância do amor e da dedicação em sua vida e carreira. Ela acredita que, se as pessoas escolherem tratar os outros com amor, elas terão uma vida repleta dessa energia. Além disso, ela enfatizou a importância de se dedicar ao trabalho e de ter foco para alcançar os objetivos.
Essa filosofia de vida é compartilhada por Giovanni Bianco, o editor do livro “Gisele”, que foi publicado em 2015. Giovanni também acredita que a dedicação e o amor são fundamentais para o sucesso e a felicidade.
- Dedicação: é essencial para alcançar os objetivos e superar os desafios.
- Amor: é a chave para uma vida feliz e plena.
- Foco: é fundamental para manter a concentração e alcançar os objetivos.
Conclusão
Gisele Bündchen é um exemplo inspirador de como a dedicação, o amor e o foco podem levar ao sucesso e à felicidade. Sua história de vida é um testemunho da importância de perseguir os sonhos e de nunca desistir. Além disso, sua filosofia de vida é um lembrete de que o amor e a dedicação são fundamentais para uma vida plena e feliz.
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Esta matéria foi publicada na edição 448, em 2015.
GISELE BÜNDCHEN: Quando decidi fazer um livro, logo pensei no seu nome — porque você me conhece desde o início da carreira, achei que você conseguiria enxergar quem eu sou, além de ser o mais talentoso. Como foi para você fazer este trabalho?
O livro Gisele, publicado pela editora Taschen
Getty Images
GIOVANNI BIANCO: Também já tinha na cabeça um livro sobre você. E fiquei muito feliz ao saber do projeto e que você queria fazer comigo. Tem uma história muito engraçada, que talvez você não se lembre, da época em que nos conhecemos. Trabalhamos juntos logo no início da sua carreira, e achei que nunca faríamos mais nada, justo por causa desse episódio. E sei que você é uma pessoa que não esquece das coisas. A gente estava fazendo um catálogo da Daslu com um fotógrafo internacional…
Gisele Bundchen em dezembro de 2015
François Nars/ Acervo Vogue
GISELE: Um fotógrafo italiano…
GIOVANNI: Isso. E a maquiadora era a Fulvia Farolfi, que trabalhou com o Helmut Newton. No set, estavam você e a Isabella Fiorentino. A Fulvia disse: “Essa menina vai longe”. Já o fotógrafo estava encantado com a Isabella, mas você não estava nem aí, seguiu fazendo seu trabalho. E falou num tom de brincadeira: “Vou ser a modelo número 1 do mundo”. Você era muito jovem, e eu disse: “Ah, tá! Talvez a número 1 comercial”. Percebi que você fechou a cara. Depois, você insistiu que não só seria a comercial, mas também a maior modelo fashion do mundo. Sempre fui polêmico e complicado porque tenho dislexia e falo mais rápido do que penso, falo mais do que deveria falar. E achei que você tinha guardado uma mágoa dessa história. Ah, naquele mesmo dia, eu também disse brincando que você seria a número 1 de calcinha e sutiã. Tenho até vontade de chorar quando penso nisso. E aí os anos se passaram, você explodiu. Quando assinou o contrato com a Victoria’s Secret, pensei: tá vendo? Sou visionário. Tudo bem, você também foi visionária, mas eu não estava errado. E aí a gente começou a fazer vários trabalhos de novo, e percebi que a mágoa não existia. Quando você me convidou para o livro, senti um orgulho enorme. Ele não foi feito por mim, mas a quatro mãos. Na verdade, a 500 mãos porque contou com as mãos dos meus assistentes; da Patricia, sua irmã; das suas outras irmãs. Fiz o papel de maestro, mas, como numa orquestra, precisava dos músicos. E o principal: precisava da música – e você era a música. O melhor foram nossas reuniões no meu estúdio, as grandes discussões sobre o que entraria ou não no livro. Nesse processo, descobri outra Gisele à qual não tinha acesso – não a modelo, mas a amiga que ganhei. O livro é só um objeto – lindo, mas que vai ficar numa estante. Ter conhecido essa outra Gisele foi meu melhor presente. E ela chora… (Gisele se emociona).
GISELE: Sou canceriana.
Saiba mais
GIOVANNI: Fiquei impressionado com a quantidade de fotos que vi. As pessoas não sabem, mas a gente deixou quase 30 mil imagens de fora! Todo mundo pensa só no glamour e no conto de fadas, mas, nos primeiros 15 anos de carreira, imagino que você tenha feito dois trabalhos por dia, não descansava nos fins de semana. Como arranjava tempo para namorar, estudar, conversar com a família?
GISELE: Dos meus 15 até os 25 anos, eu não tenho memória. Para mim, esses dez anos parecem um só. Sábados e domingos nunca existiram na minha cabeça. Trabalhava, basicamente, os 365 dias do ano. Mas graças a Deus que eu tinha a (cachorrinha) Vida, que era minha companheira, estava sempre comigo, senão me sentiria muito sozinha. Vivia numa correria, passava dois dias em Paris, três em Londres, dois em Nova York. Minha vida foi assim, no mínimo, durante uns dez anos. Eram umas duas semanas livres ao todo por ano. E não sabia o que era feriado porque para mim eles não existiam. Se fosse Thanksgiving (Dia de Ação de Graças) nos Estados Unidos, estava em Londres trabalhando; se fosse feriado em algum país, eu estava em outro país trabalhando. Mas eu era muito feliz. Sempre me senti meio estranha, acho que isso vem da minha infância, por eu ter sofrido muito bullying na escola, ser a Olívia Palito. Eu nunca achei que fosse…
GIOVANNI: Ter tudo isso?
GISELE: Isso! Ter essa oportunidade. Então, quando a oportunidade surgiu, não conseguia dizer não. Também não sabia que podia dizer não – pensava que não iam mais querer trabalhar comigo, tinha medo. Eu via tantas meninas nesse processo, que faziam vários trabalhos e, depois de dois anos, sumiam. Eu não tinha ideia de quanto tempo isso iria durar. Então, só o que eu queria era abraçar as oportunidades porque não sabia quando elas iam acabar. Sentia muita gratidão. Eu fui indo, indo.
Gisele Bundchen em dezembro de 2015
François Nars/ Acervo Vogue
GIOVANNI: É interessante contar também o lado árduo do trabalho, porque as pessoas acham que é só ir lá e fazer a foto. A modelo acorda de manhã, faz a mala, viaja, chega…
GISELE: Vai direto para o estúdio…
GIOVANNI: Depois, são 500 mãos em cima de você, tiram sua cutícula, enfiam um negócio no seu olho, puxam seu cabelo…
GISELE: É queimada por babyliss direto…
GIOVANNI: Puxam dali, apertam daqui, mexem no seu peito… Existe uma agressividade.
GISELE: Às vezes, parece que estão lidando com um objeto, né?
GIOVANNI: Exatamente! E é preciso trabalhar isso bem, como você soube fazer…
Gisele Bündchen na Vogue de dezembro de 2015
François Nars/ Acervo Vogue
GISELE: Eu acho que foi importante para mim ter essa enorme sensação de gratidão por estar ali. Porque eu me achava o Patinho Feio com 13, 14 anos. E, quando começaram a me bookar para trabalhos como modelo, eu não acreditei. E é engraçado porque, de certa forma, me sinto assim até hoje, 20 anos depois.
GIOVANNI: Num dia em que a gente encontrou o Mario Testino, ele olhou a foto antiga de um teste e falou: “Você deveria ir à igreja acender algumas velas. Quem diria que você iria se tornar a super top model Gisele Bündchen!”. Mas, no fundo, você sabia que iria ser aquilo!
GISELE: Olha, eu não sabia. Mas sabia o que queria. Porque não foi fácil sair de casa, deixar minhas irmãs, estar longe da minha família aos 14 anos e embarcar nessa jornada. Eu morria de medo do escuro e estava sozinha, vivendo em apartamentos onde algumas meninas usavam drogas. Era difícil, eu não sentia que pertencia àquele mundo. Eu não entendia nada de moda. Estava com frio, mas como não tinha dinheiro para comprar uma bota, colocava meia com uma sandália mesmo. Eu ia para os castings assim. Não tinha bolsa ou roupa de marca, e nem me importava com isso. Mas nunca foquei nas dificuldades, que com certeza sempre existiram. Porque tem gente falando na sua cara, a toda hora, que você não é boa o suficiente.
GIOVANNI: É, nem todo mundo, mas tem muita gente assim…
GISELE: Nem todo mundo, mas eu diria que muita gente. Acho que nem todos conseguem enxergar o ser humano dentro do corpo da modelo. Algumas vezes, é como se você fosse um objeto, sem sentimentos, e está ali simplesmente para fazer aquilo. Acho que isso é uma coisa que não é nem consciente, sabe? Você tem um determinado tempo para fazer a foto funcionar. A pessoa entra e, talvez, nunca mais vá ver você na vida. No início, não existe a intimidade, carinho, respeito. É uma coisa meio rápida.
GIOVANNI: Mas a gratidão fez você superar toda a questão da dor.
GISELE: Com certeza. Gente, eu sou de Horizontina, uma cidade bem pequena no interior do Rio Grande do Sul. Eu não me esqueço disso. Quando você tem uma origem simples, não esquece porque teve de batalhar por cada coisinha que conquistou. Voltando ao livro, como você chegou ao formato final? Quando vi que ele era todo colorido, quase caí para trás – parecia telepatia.
GIOVANNI: O primeiro layout do livro era todo em preto e branco, não sei se você lembra. Trabalhamos ao todo quatro anos no livro e por uns oito meses ele foi assim. E, quando a gente se encontrava, você nunca falava: “Sou eu!”. Dizia que o livro era elegante – e elegante é uma palavra horrorosa.
GISELE: Desculpa! (risos)
Gisele Bundchen em dezembro de 2015
François Nars/ Acervo Vogue
GIOVANNI: Um dia acordei, fiquei pensando muito no elegante da Gisele e falei: não sou eu. Ela é brasileira, eu sou brasileiro, eu sou Carnaval, a gente ama cor. Gisele é pura energia. Fui para o estúdio e fiz uma maquete pequenininha com as cores que achava que deveriam ser usadas. E meus assistentes ficaram malucos porque mudei radicalmente o livro, ele virou uma explosão de cores. Aí você viu e falou: “Sou eu!”. Quando a gente olha para você, tem coisas que são muito óbvias: você é linda, sexy, brasileira. Eu tentei fugir de tudo isso no início, mas foi bom ter passado por esse processo. Por isso falei que o livro foi feito por tantas mãos, foram muitas idas e vindas. Outra coisa interessante foram nossas brigas. A gente tem que falar do seu amigo (fotógrafo) Nino Muñoz…
GISELE: Eu queria incluir um monte de fotos dele.
GIOVANNI: Cada foto que você queria tirar das minhas preferidas, eu falava: “Morre uma do Nino”. Foi minha moeda de troca, coitado do Nino. Mas ele foi homenageado: uma das minhas imagens prediletas, uma das que abrem o livro, é aquela em que você aparece na areia com um coração. Também teve a época em que você cismou que queria incluir todas as campanhas. E eu falava: “Querida, não é um livro de campanhas”.
GISELE: Eu queria a memória…
GIOVANNI: Sua irmã Patricia lembra muito bem. Eu falei: “Avisa pra Gisele que o livro que ela quer vai ter 10 mil páginas. E não existe livro de 10 mil páginas! Você tem que dar um jeito nela, porque assim não dá”.
GISELE: É que eu queria que todo mundo tivesse um espaço.
GIOVANNI: E sua memória é inacreditável. Toda vez que eu tirava uma imagem do painel, você olhava, olhava, depois perguntava: “Cadê aquela foto?”. Era impressionante! Algumas delas entraram – não são fotos que eu teria incluído, mas tinham uma grande importância pra você. E também aconteceu o contrário: entraram fotos que eu defendia e você não queria, mas que depois compreendeu que, historicamente, existia uma relevância fotográfica. Por isso o livro ficou tão bacana, ele teve o equilíbrio entre esses dois lados. Um detalhe engraçado: toda vez que achava uma imagem importante sua com outra modelo, a foto acabava no chão. A única que entrou, apesar de você ter tentado derrubar até o segundo ano da preparação do livro, foi a com a Malgosia Bela, do Richard Avedon. Eu demorei, mas entendi o motivo da sua resistência: não se reconhece a Gisele ali. Algum tempo depois, você percebeu o quanto aquela foto era importante, a única que fez com o Avedon. Além dessa, teve outra que foi uma vitória para mim, porque sei que você não acha que está linda nela, mas…
GISELE: Tem várias em que não estou!
GIOVANNI: Foi a do Helmut Newton, que era uma foto importante. Não se preocupar em estar linda em todas as imagens foi fundamental para o livro sair vitorioso.
Gisele Bündchen na capa da Vogue Brasil de dezembro de 2015
François Nars/ Acervo Vogue
GISELE: Acho que tem várias fotos assim. Mas a gente teve as nossas conversas, e pensei: todas essas pessoas sou eu! E não interessa se tem umas mais bonitas, outras mais glamorosas. Só não me senti confortável em me mostrar nua naquelas fotos do Mario Sorrenti. Você faria um livro só com elas.
GIOVANNI: Fiquei enlouquecido. Era a primeira vez que via a Gisele completamente nua, sem maquiagem – e com a luz deslumbrante do Mario Sorrenti. Essas fotos chegaram a compor uma parte importante do livro, foi um momento em que fiquei muito emocionado.Mas você voltou dizendo: “Giovanni, elas vão ter de morrer”. Eu me revoltei. Acho que todo mundo que um dia tiver acesso àquelas fotos vai entender o que estou falando. Infelizmente, ninguém vai poder…(risos).Ou, sei lá, no dia em que você não estiver mais nesse planeta…
GISELE: No fim das contas, coloquei várias fotos nesse livro por ter essa confiança em você. Porque tem muitas imagens que eu jamais teria escolhido ou jamais gostaria que as pessoas vissem. Eu, novinha, com aquelas caras… Os primeiros ensaios fotográficos, nos quais você não tem ideia de luz, ideia de nada. Esses eram seus favoritos.
GIOVANNI: Mas isso aí foi muito inteligente porque, na verdade, é muito legal ver a sua transformação.
GISELE: E a evolução! Graças a Deus, a evolução!
GIOVANNI: E se tem uma coisa que eu acho bacana é que você não era um Patinho Feio como diz, mas talvez também não fosse a mulher mais linda do mundo.
GISELE: Com certeza não!
GIOVANNI: Mas, com a sua determinação, você é a pessoa que mais e melhor compreendeu a profissão de modelo. E usou isso a seu favor. Talvez na adolescência você não fosse linda como se tornou depois. Mas a sua determinação foi tão grande que você aprendeu a se colocar na luz, criou um jeito de andar. Acho que desse conjunto nasceu essa coisa chamada Gisele. Porque não é que você seja a pessoa mais linda do mundo – linda como você existem várias.
GISELE: E muito mais, por favor…
GIOVANNI: Mas o que a torna tão especial é o conjunto da obra, você fez da sua profissão a melhor coisa do mundo. Por isso foi tão importante o livro ter mostrado fotos em que você não está tão linda.
GISELE: Muito longe de linda, né?
GIOVANNI: Eu acho essas fotos incríveis porque quem é inteligente vê nelas a determinação. Uma pessoa que nunca viu uma câmera fazer aquelas poses. Isso mostra que tudo na vida é evolução.
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GISELE: E como você entrou para a moda e se transformou no super GB que é hoje?
GIOVANNI: Saí da feira, da feira fui fazer engenharia, da engenharia caí no design gráfico – queria mesmo era ser pintor, mas me falaram que não tinha talento. Quando cheguei a Milão, não sabia a diferença entre Armani e Versace. E quando olho em fotos como eu me vestia, podia ser qualquer coisa na vida, menos trabalhar com moda. Eu jamais imaginei que iria parar nessa área.
GISELE: Nem eu, isso é uma coisa que a gente tem em comum.
GIOVANNI: Eu achava moda superficial, uma coisa menor. Mas descobri que ela tinha um lado que me atraía muito, que é a efemeridade. Sou irrequieto e não consigo fazer a mesma coisa o dia todo – e todos os dias. E a moda é um desafio, está sempre mudando.
GISELE: Criando novidades.
GIOVANNI: E a moda tem um lado mais profundo: é um retrato da sociedade, da economia, da cultura. Se você se apaixona pela área e é CDF como nós dois, agarra aquilo e vai tentar fazer o melhor. E a gente não veio a passeio nesta vida. Você veio a passeio?
GISELE: Com certeza não. Se eu pudesse deixar uma mensagem, seria: tratem os outros como vocês gostariam de ser tratados. Se escolher tratar as pessoas com amor, vai ter uma vida repleta dessa energia. Ou você escolhe o amor ou a dor. E eu escolho o amor.
Gisele Bundchen em dezembro de 2015
François Nars/ Acervo Vogue
GIOVANNI: Eu quero dizer que a única coisa boa que eu e minha colega Gisele chegamos à conclusão de ficar velho…
GISELE: Maduro!
GIOVANNI: Isso, maduro. Eu estou com cinquentinha e minha colega com 35. A coisa boa que a idade nos traz é um pouquinho de aprendizado. E achamos que é o momento de usar este canal para dizer às pessoas o quanto é importante se dedicar mais ao amor. Realizamos um trabalho do qual estamos muito orgulhosos. Mas também temos oportunidade e voz para dizer o quanto é importante se dedicar, trabalhar duro, porque nada vem de graça na vida.
GISELE: Dedicação, foco e amor.
GIOVANNI: O recado da colega já foi dado. O meu é o seguinte: no fim, o que conta mesmo é dar muito beijo na boca e ser feliz.
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