Robô Budista Desenvolvido no Brasil para Interagir com Visitantes em Museus
Um robô social com a aparência de um bodhisattva foi desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal de Lavras (UFLA), em Minas Gerais, da Ontario Tech University, no Canadá, e da Hongik University, na Coreia do Sul. O robô foi criado por meio de impressão 3D baseada em escaneamento digital de alta resolução e reproduz em tamanho real uma estátua budista do início do século 7 d.C., considerada “tesouro nacional” da Coreia.
O robô é capaz de interagir com o usuário por meio de movimentos sutis de cabeça, tronco e braços, reconhecimento de gestos e fala. Além disso, pode produzir música compatível com o estado meditativo do usuário, gerada por inteligência artificial com base em cânones budistas. O sistema foi estruturado segundo o paradigma sense-think-act, permitindo que os módulos deleguem tarefas entre si por meio de um protocolo de comunicação.
Características do Robô
- Altura de 93 centímetros e permanece sentado, como a escultura original
- Capacidade de reconhecer gestos simbólicos (mudrās) feitos pelas pessoas que interagem com ele
- Reconhecimento de um gesto muito conhecido, como abhaya mudrā, foi bem-sucedido em 75% dos casos
- Utiliza um modelo de linguagem de máquina leve, executado localmente por meio de um notebook acoplado ao sistema
O estudo recebeu apoio da FAPESP e visa enriquecer a experiência de visitantes em museus coreanos. No entanto, os pesquisadores vislumbram aplicações da tecnologia em outras áreas, como robôs sociais capazes de oferecer apoio emocional a agricultores.
O protótipo sugere que robótica social, inteligência artificial e patrimônio cultural podem convergir para formar uma nova categoria de interfaces – sistemas capazes não apenas de executar tarefas, mas de interagir simbolicamente com humanos. A próxima etapa do projeto prevê estudos longitudinais em ambientes reais para medir confiança, engajamento e impacto psicológico nos usuários.
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