O Mistério dos Restos de Alfredo, o Grande
Por mais de um século, historiadores e arqueólogos têm buscado descobrir o paradeiro dos restos mortais de Alfredo, o Grande, um dos fundadores da Inglaterra. Agora, o pesquisador Graham Phillips afirma ter solucionado esse mistério, sugerindo que os ossos do monarca estão enterrados sob um estacionamento na cidade inglesa de Winchester.
A hipótese de Phillips foi apresentada após mais de uma década de investigação. Ele encontrou um artigo datado de 1800 que descreve a remoção dos restos mortais durante construções no século 18 e seu enterro em outro ponto da antiga Abadia de Hyde. Um mapa incluído no documento indicaria exatamente onde isso aconteceu, correspondendo a um estacionamento atual.
A Trajetória dos Restos de Alfredo
Alfredo, o Grande, governou o reino de Wessex entre 871 e 899, liderando a resistência contra as invasões vikings e promovendo reformas na administração e educação. Após sua morte, seus restos mortais foram sepultados inicialmente na antiga catedral de Winchester, conhecida como Old Minster. Mais tarde, foram transferidos para a New Minster e, por volta de 1110, para a Abadia de Hyde, onde Alfredo foi enterrado entre sua esposa e seu filho, diante do altar principal.
No entanto, a Dissolução dos Mosteiros no século 16 mudou o cenário. A abadia foi desmontada, e os sepultamentos permaneceram no local. Em 1788, um asilo e uma prisão foram construídos sobre as ruínas, e relatos da época descrevem que os túmulos foram abertos e os ossos espalhados durante as obras.
Investigações e Descobertas
Em 2013, arqueólogos da Universidade de Winchester exumaram a chamada “sepultura sem identificação”, que continha restos de pelo menos seis pessoas diferentes, todas vivendo entre 1100 a 1500, ou seja, pelo menos 200 anos depois da morte de Alfredo. Essa descoberta mudou a investigação, e outra pista importante surgiu com a reexaminação de materiais recuperados em escavações na Abadia de Hyde na década de 1990.
A osteoarqueóloga Katie Tucker identificou um fragmento de osso pélvico encontrado na região do altar principal, que, após datação por radiocarbono, indicou pertencer a um homem que viveu entre os anos 895 e 1017. A análise osteológica sugere que o indivíduo tinha entre 26 e 45 anos na época de sua morte, o que leva a considerar que esse fragmento provavelmente pertence a Alfredo ou seu filho Eduardo, o Velho.
Phillips acredita que o restante dos ossos nunca foi levado para a sepultura analisada em 2013, mas sim removido durante as obras da prisão no século 18 e enterrado em outro ponto da antiga abadia, onde hoje existe um estacionamento. Para testar a hipótese, ele defende que o local seja investigado inicialmente com radar de penetração no solo, evitando escavações invasivas na região.
- A hipótese de Phillips ainda não foi verificada por outros pesquisadores.
- A Universidade de Winchester há anos conduz pesquisas sobre o paradeiro do rei.
- A descoberta do fragmento de osso pélvico na Abadia de Hyde é uma pista importante na investigação.
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