Respirar ar poluído pode aumentar o risco de Parkinson
A exposição prolongada à poluição do ar pode aumentar o risco de desenvolver doença de Parkinson, segundo uma revisão sistemática de literatura científica conduzida por pesquisadores da Universidade de Cambridge, no Reino Unido. O estudo reuniu evidências de estudos anteriores e identificou uma associação entre alguns poluentes atmosféricos e a doença neurodegenerativa.
A doença de Parkinson afeta mais de 6 milhões de pessoas no mundo todo, provocando sintomas como tremores, rigidez muscular e lentidão dos movimentos. Embora fatores genéticos contribuam para alguns casos, acredita-se que fatores ambientais também desempenham um papel importante no desenvolvimento da doença.
Como o estudo foi feito
Os pesquisadores observaram que a associação mais consistente foi com o material particulado fino (PM2,5), partículas microscópicas com diâmetro inferior a 2,5 micrômetros, produzidas principalmente pela queima de combustíveis fósseis, emissões industriais e incêndios. A revisão mostrou que, para cada aumento de 5 microgramas por metro cúbico (µg/m³) na exposição de longo prazo ao PM2,5, o risco de desenvolver Parkinson aumentava cerca de 10%.
Outro poluente associado ao aumento do risco foi o PM10, composto por partículas maiores, que incluem poluentes que podem ser vistos a olho nu, como pólen, poeira agrícola, fuligem e cinzas de incêndios, fumaça emitida por motores a diesel e esporos de mofo. Nesse caso, cada aumento de 15 µg/m³ na exposição esteve ligado a um risco 18% maior de desenvolver a doença.
Conclusões e recomendações
Embora os aumentos pareçam baixos individualmente, os pesquisadores destacam que a poluição atmosférica é um problema de saúde pública que afeta milhões de pessoas continuamente. Por isso, mesmo pequenos aumentos no risco individual podem representar um impacto expressivo quando considerados em toda a população.
Os autores também ressaltam que a maioria dos estudos analisados foi realizada na América do Norte, Europa e Ásia, o que limita a generalização dos resultados para outras partes do planeta. Ainda assim, eles afirmam que as evidências reforçam a necessidade de políticas voltadas à redução da poluição atmosférica, para beneficiar não apenas a saúde respiratória e cardiovascular, mas também a saúde do cérebro.
Uma possível explicação para a ligação entre a poluição atmosférica e a doença de Parkinson está nas partículas muito pequenas, como o PM2,5, que conseguem penetrar profundamente nos pulmões e entrar na corrente sanguínea, afetando outros órgãos. Essas partículas podem desencadear inflamação e estresse oxidativo — processos que provocam danos às células e que já são conhecidos por contribuir para doenças neurodegenerativas.
Alguns pontos importantes a considerar:
- A poluição atmosférica é um problema de saúde pública que afeta milhões de pessoas.
- A exposição prolongada à poluição do ar pode aumentar o risco de desenvolver doença de Parkinson.
- Os poluentes atmosféricos, como o PM2,5 e o PM10, estão associados ao aumento do risco de Parkinson.
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