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Rauls: como o funk transformou estelionatários digitais em personagens de músicas e de série

O Fenômeno dos Rauls: Como o Funk Transformou Estelionatários Digitais em Personagens de Músicas e Séries

O funk paulistano vem documentando a história dos estelionatários digitais, conhecidos como Rauls, que aplicam golpes bancários virtuais. O termo “Raul” se tornou sinônimo de estelionato e os MCs paulistanos vêm relatando o crescimento vertiginoso dessa modalidade de crime nos últimos anos.

A origem do codinome “Raul” está ligada ao aparelho que clonava cartões durante transações em caixas eletrônicos, chamados de “chupa-cabra” ou “Raul”. Os golpistas escolheram o nome “Raul” para se diferenciarem do nome que ficou mais atrelado ao aparelho. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 64,6 mil brasileiros têm o nome Raul.

O estelionato é um crime previsto no código penal, com pena de um a cinco anos de reclusão, além de multa. A partir dos anos 2010, o funk paulistano vem cantando sobre a vida dos Rauls, não necessariamente sobre os golpes aplicados, mas como os criminosos usufruem do dinheiro roubado.

Os Rauls como Fenômeno Cultural

O tema dos Rauls vai além do crime em si, abordando a cultura envolvida com quem o pratica. Isso inclui o estilo de vida, a vestimenta, as gírias usadas e como gastam o dinheiro dos crimes praticados. O funk documenta a história do crime em São Paulo, desde assaltos à mão armada e tráfico de drogas até o estelionato virtual.

A socióloga Isabela Vianna Pinho afirma que o funk da Baixada aborda o tema nas suas músicas, citando nomes reais e documentando uma história. O funk ostentação, que surgiu nos anos 2010, deu lugar ao funk que fala sobre os Rauls, com MCs como Kelvinho e Kapela ficando conhecidos por cantarem sobre estelionato.

O Mundo Real dos Rauls

De acordo com a pesquisadora Ana Clara Klink, o crescimento dos crimes de estelionato virtual está ligado a fatores como o surgimento do PIX, a pandemia e o anonimato envolvido nessa atuação. O público envolvido nesse tipo de crime é de jovens, principalmente entre 18 e 29 anos, com conhecimento razoável em tecnologia.

Os Rauls aplicam golpes das mais variadas formas, clonam cartões, invadem contas bancárias por meio de aplicativos maliciosos, etc. O professor Gustavo Prieto afirma que o Primeiro Comando da Capital (PCC) ainda tenta entender o mundo dos Rauls, que são vistos como micro-empreendedores que trabalham de forma autônoma.

A imagem de que o Raul é uma espécie de ladrão de banco 2.0 é muito forte no imaginário. É um criminoso que, por conta do contexto atual, escolheu por dar golpes sem o emprego da violência. A curiosidade sobre como vivem, o que vestem e o que comem transbordou as periferias do estado mais rico do país.

  • O funk paulistano documenta a história dos estelionatários digitais, conhecidos como Rauls.
  • O termo “Raul” se tornou sinônimo de estelionato.
  • O estelionato é um crime previsto no código penal, com pena de um a cinco anos de reclusão, além de multa.
  • O tema dos Rauls vai além do crime em si, abordando a cultura envolvida com quem o pratica.
  • O funk documenta a história do crime em São Paulo, desde assaltos à mão armada e tráfico de drogas até o estelionato virtual.

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