Entendendo a Masculinidade Tóxica: Um Estudo Revelador
A expressão “masculinidade tóxica” é frequentemente usada para descrever comportamentos masculinos considerados prejudiciais, como a resistência em dividir tarefas domésticas, a dificuldade de demonstrar vulnerabilidade emocional e a normalização da violência sexual contra mulheres. No entanto, quão disseminado é esse fenômeno e seria possível medi-lo de forma científica?
Um estudo recente publicado na revista Psychology of Men & Masculinities sugere que sim. A pesquisa, liderada pela doutoranda em psicologia Deborah Hill Cone, da Universidade de Auckland, analisou dados de quase 50 mil pessoas, incluindo cerca de 15 mil homens cis e heterossexuais, e identificou oito indicadores centrais de masculinidade tóxica.
Os Indicadores de Masculinidade Tóxica
Os indicadores incluem:
- Preconceito contra identidades sexuais diversas (LGBTQIAPN+fobia)
- Sexismo hostil (como a crença de que mulheres manipulam homens para obter poder)
- Sexismo benevolente (a ideia de que mulheres precisam ser protegidas e valorizadas pelos homens)
- Oposição à prevenção da violência doméstica
- Crença de que algumas hierarquias sociais são “naturais”
Com base nesses indicadores, os pesquisadores dividiram os participantes em cinco grupos distintos, incluindo um grupo “tóxico hostil” caracterizado por altos níveis de hostilidade, sexismo e visões hierárquicas rígidas da sociedade.
Quem São os Homens Tóxicos?
O estudo revelou que apenas 3,2% dos homens foram classificados como pertencentes ao grupo “tóxico hostil”. Além disso, o perfil tóxico hostil não era dominado por homens ricos, poderosos ou associados ao estereótipo do “macho alfa”, mas sim por homens mais velhos, solteiros, desempregados, religiosos, pertencentes a minorias étnicas ou em situação de privação econômica, com menor escolaridade ou maior desregulação emocional.
O estudo também sugere que a “centralidade” de ser homem na identidade pessoal não foi um fator decisivo para diferenciar os grupos. Muitos homens que valorizavam fortemente sua identidade masculina estavam em categorias pouco ou nada tóxicas, o que sugere que é possível pensar na existência de uma masculinidade “positiva”.
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