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“Quando vejo uma artista de mais de 90 anos em cena, enxergo um futuro para mim”

Uma Vida de Movimento e Arte

Aos 78 anos, a bailarina, coreógrafa e pesquisadora Regina Miranda continua a inspirar e a se inspirar com sua paixão pela dança e pelo movimento. Seu dia começa cedo, às 5h30 da manhã, com um ritual que envolve o despertar suave do corpo, olhando para a paisagem do Jardim Botânico e sentindo o cheiro do mar e da floresta. Esse momento de sintonia entre o corpo e o mundo é essencial para ela, e é motivado pelo prazer e pelo desejo, e não pela disciplina.

Regina Miranda está se preparando para levar uma nova montagem de A Divina Comédia para o Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio de Janeiro, ocupando 16 mil metros quadrados dos jardins com mais de 120 intérpretes. O espetáculo traz artistas de diferentes gerações, indo dos 18 aos 90 anos, e é uma celebração aos 35 anos da primeira montagem. A bailarina acredita que a dança é uma forma de expressar o que se tem a dizer em movimento, e que todas as idades têm algo a dizer.

Inteligência Corporal e Maturidade

Regina Miranda acredita que existe uma inteligência corporal que só chega com a maturidade. Um corpo mais velho comunica coisas que um corpo jovem ainda não viveu, e a dança não é apenas uma questão de destreza técnica, mas também de presença, escuta e quietude. A bailarina acredita que a presença é uma técnica, e que a maturidade aprofunda essas habilidades.

Para Regina, a dança é uma forma de expressar a beleza em diferentes idades e formas. Ela não acredita que exista uma única imagem para uma idade específica, e que é importante desmontar esses padrões. A bailarina também acredita que a criatividade não depende apenas da capacidade atlética, mas também de experiência, repertório e presença.

Lições da Vida e da Dança

Regina Miranda aprendeu muitas lições ao longo de sua vida e carreira. Ela acredita que a liberdade vem com a maturidade, e que é importante saber o que se quer e o que se não se quer. A bailarina também aprendeu a valorizar a energia e a não desperdiçá-la em discussões ou coisas que não são importantes.

Para Regina, o que a faz levantar da cama todos os dias é o desejo de despertar o corpo e olhar para a paisagem. Ela acredita que o movimento movimenta o desejo, e que é importante continuar a se inspirar e a se expressar através da dança e da arte.

  • A dança é uma forma de expressar o que se tem a dizer em movimento.
  • A maturidade traz uma inteligência corporal que só chega com a idade.
  • A presença, a escuta e a quietude são técnicas que se aprofundam com a maturidade.

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