Presidente da Embrapa Redesenha as Finanças do Órgão para Manter a Soberania do Agro
A Embrapa, principal instituição de pesquisa agropecuária do país, enfrenta um desafio central: garantir o custeio da pesquisa agropecuária em um ambiente fiscal restritivo, sem comprometer a capacidade científica que sustenta a competitividade do agronegócio brasileiro.
A presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, está à frente deste grande desafio. “A ciência não funciona em ciclos curtos de financiamento. Pesquisa exige previsibilidade, continuidade e tempo”, afirma.
Para resolver este problema, a Embrapa está redesenhando seu modelo financeiro, recompondo o capital humano e criando mecanismos mais estáveis de financiamento para a ciência agrícola brasileira.
Alguns dos principais pontos da estratégia incluem:
- Construção de modelos híbridos de financiamento, com parcerias público-privadas e incorporação de experiências de modernização da gestão estatal;
- Ampliação da participação privada em demandas de curto e médio prazo, reduzindo a pressão sobre o Tesouro;
- Criação de um próprio fundo da Embrapa e outro pela Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA);
- Recomposição do quadro de pessoal, com a contratação de cerca de mil novos profissionais, incluindo pesquisadores mais jovens;
- Reforço da atuação internacional, com a abertura de um escritório em Adis Abeba, na Etiópia, e novas parcerias em negociação na Ásia, na América Central e no Oriente Médio.
Essas ações visam garantir que a ciência continue sendo um dos pilares silenciosos, mas decisivos, da competitividade do agronegócio brasileiro nas próximas décadas.
A Embrapa também está trabalhando em projetos de codesenvolvimento tecnológico, licenciamento e prestação de serviços científicos avançados, sobretudo em áreas com maior maturidade tecnológica e interesse do setor produtivo.
Além disso, a instituição está atuando como base técnica para políticas públicas e instrumentos financeiros, como o Zoneamento Agrícola de Risco Climático, que é obrigatório para acesso ao crédito rural e ao seguro.
Com essas ações, a Embrapa busca manter a soberania do agro e garantir que a ciência continue sendo um dos principais motores do desenvolvimento do setor.
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