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Por que os incas sacrificavam crianças? Este estudo traz novas explicações

Por que os incas sacrificavam crianças? Este estudo traz novas explicações

Um novo estudo publicado na revista científica Archaeometry revela as possíveis razões por trás do sacrifício humano de crianças no Império Inca. A equipe de pesquisadores analisou folhas de coca, sementes de mandioca e grãos de milho encontrados entre as oferendas funerárias de três crianças sacrificadas durante uma cerimônia conhecida como capacocha.

A capacocha era uma cerimônia de grande importância para os incas, na qual crianças e jovens considerados fisicamente perfeitos eram escolhidos para participar do ritual e enviados em longas peregrinações até montanhas sagradas, onde eram sacrificados e enterrados com ricos conjuntos de oferendas. Os incas acreditavam que montanhas, vulcões e outros elementos da paisagem possuíam poder espiritual.

O estudo utilizou técnicas de datação por radiocarbono e análise de isótopos estáveis para estudar os restos vegetais depositados ao lado da chamada “Donzela de Llullaillaco”, uma adolescente de aproximadamente 14 anos encontrada em 1999. A nova pesquisa reduziu a janela temporal para apenas 45 anos, entre 1462 e 1507 d.C., e sugere que o ritual tenha acontecido em 1489.

Os resultados sugerem que o sacrifício pode ter servido não apenas a propósitos religiosos, mas também políticos. A equipe de pesquisadores defende que a capacocha pode ter funcionado como uma poderosa ferramenta de integração social e controle imperial, promovendo uma identidade compartilhada e reforçando a legitimidade dos governantes.

  • A capacocha era uma cerimônia de grande importância para os incas.
  • O sacrifício humano de crianças pode ter servido a propósitos políticos e religiosos.
  • A equipe de pesquisadores utilizou técnicas de datação por radiocarbono e análise de isótopos estáveis para estudar os restos vegetais.

O estudo também revela que as condições de frio intenso e baixa umidade permitiram uma preservação extraordinária dos corpos, permitindo que os pesquisadores estudem não apenas os esqueletos, mas também cabelos, tecidos, alimentos e objetos associados ao ritual.

Além disso, a equipe mediu isótopos de carbono, nitrogênio e oxigênio para identificar as condições ambientais nas quais as plantas cresceram. Os pesquisadores também utilizaram modelos de calibração específicos para regiões influenciadas pela circulação atmosférica dos hemisférios Norte e Sul, aumentando a precisão das estimativas.

Os resultados do estudo reforçam a ideia de que religião e política estavam profundamente entrelaçadas na administração do Império Inca. Em vez de enxergar a capacocha apenas como um ato de devoção aos deuses das montanhas, os pesquisadores defendem que ela também pode ter funcionado como uma poderosa ferramenta de integração social e controle imperial.

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