O Poder Libertador do Surfe para Mulheres com mais de 40 Anos
O surfe está se tornando uma atividade cada vez mais popular entre mulheres com mais de 40 anos. Mais do que um esporte, o surfe representa uma metáfora para a vida, ensinando a enfrentar medos, a ser livre e a se conectar com a natureza e com outras mulheres. A cultura popular está repleta de referências à água e ao movimento da vida, e o surfe é uma forma de vivenciar essas metáforas de forma visceral.
Mulheres como Isabella Fiorentino e Luciana Soffiati descobriram no surfe uma nova forma de viver. Elas se uniram em uma comunidade de mulheres que compartilham a paixão pelo surfe e pela conexão com a natureza. Juntas, elas realizam surf trips para destinos como as Maldivas e a Costa Rica, onde podem vivenciar dias de ondas e muita conexão.
- A liberdade de surfar é uma forma de se libertar das responsabilidades diárias e se conectar com a natureza.
- A comunidade de mulheres que surfam é uma rede de apoio e inspiração, onde cada uma pode se identificar e se sentir motivada.
- O surfe é uma forma de se desafiar e superar medos, desenvolvendo resiliência e coragem.
Empreendedores como Dalila Foti e Bruna Queiroz criaram projetos para promover o surfe feminino e oferecer oportunidades para mulheres se conectarem e se inspirarem. A Spiritual Surf, de Dalila, já levou mais de 560 mulheres para 53 surf trips no Brasil e em outros continentes. A BBQ Only Girls, de Bruna, já realizou 88 surf trips internacionais exclusivamente para mulheres.
O encontro das ondas é um momento especial para essas mulheres, que podem se conectar com a natureza e com outras mulheres que compartilham a mesma paixão. Como resume Isabella, “o mar é um mestre: ensina desapego, resiliência, fluidez e coragem”. O surfe é uma forma de se conectar com a própria imensidão e de encontrar a liberdade e a felicidade.
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Da literatura clássica à autoajuda, passando por diálogos de filmes e refrões de músicas, a cultura popular está repleta de metáforas que relacionam a água ao movimento da vida, assim como à adaptabilidade e à persistência inabalável. Pense em “a vida vem em ondas como o mar”, de Lulu Santos, ou em “a água sempre vai para onde quer ir, e nada no final pode resistir a ela”, de Margaret Atwood. Além dos músicos e escritores, existe um outro grupo que entendeu de forma visceral essas figuras de linguagem: mulheres que descobriram no surfe amador – ou melhor, no surfe amador compartilhado com outras mulheres – o poder libertador de fluir. Juntas, elas partem para pousadas pé na areia em Ubatuba ou barcas ancoradas no mar das Maldivas, numa busca por vivenciar dias de ondas e muita conexão.
“O surfe é uma metáfora poderosa: ensina a enfrentar os medos, liberdade para a vida daquelas que pensam demais, planejam e executam sem pausa. Surfar é resgate, é vida pulsante, é conexão divina ou simplesmente uma possibilidade – simples assim”, explica Dalila Foti, fundadora da Spiritual Surf, agência de turismo de experiência criada em 2018 e que, desde então, já levou mais de 560 mulheres para 53 surf trips no Brasil e em outros continentes. “Eu era empresária, consultora de hospitalidade e recém-formada em coaching pelo IBC para treinar garçons e cozinheiros. Mas minha paixão pelo surfe e o desejo de apoiar o crescimento do free surf feminino falaram mais alto. Eu falava muito sobre chamado, não tinha como negar o meu. Ao invés de treinar funcionários de restaurante, decidi treinar mulheres. Queria mostrar para elas que surfar é estabelecer sincronicidade com a vida”, completa.
Foi justamente essa sincronicidade que uniu a modelo e apresentadora Isabella Fiorentino e a tradutora e professora de inglês Luciana Soffiati em uma barca inteiramente feminina nas Maldivas. Isabella relembra o início: “Comecei a surfar em janeiro de 2021. Mesmo caindo em todas as ondas, senti algo tão forte naqueles primeiros dias que não via a hora de voltar. Treinei no skate simulador de surfe, contratei professores e até um coach que me filmava na onda para fazermos análise”. Hoje, Isabella mantém até um perfil de Instagram dedicado ao esporte, o @belladosurf. “Entre uma aula e outra, fui fazendo minhas amigas do surfe. Hoje somos um grupo de oito mulheres, todas com mais de 40 anos e histórias diversas. Depois de dois anos surfando na mesma praia, fizemos nossa primeira surf trip: Maldivas, com quatro do grupo. Foi uma das melhores viagens da minha vida. Ali percebi que éramos uma comunidade.”
A amiga e companheira de ondas, Lu Soffiati, também encontrou no surfe uma nova forma de viver. “Na minha adolescência e juventude, mulheres não surfavam, com raras exceções, então surfar nunca passou pela minha cabeça. Até que, aos 42 anos, pensei: é agora ou nunca! Preciso experimentar essa sensação. Evoluí muito rápido: em dois anos, já tinha surfado Bali, Mentawai, Califórnia, Costa Rica, depois temporadas no Havaí. Mas ainda eram poucas mulheres, principalmente da minha idade no mar.” Este ano, Lu, Isabella e mais sete amigas partiram para uma segunda surf trip com destino à Costa Rica. “Foi sensacional! Altas ondas para todos os níveis, cada uma conseguiu evoluir e se divertir. Além das ondas, da bagunça e de muitas risadas, todas deram um tempo de trabalho e família para viver momentos juntas e conectadas com a natureza. Agora, todo ano, já é certo que faremos uma surf trip. Só precisamos decidir o destino.”
Para Bruna Queiroz, fundadora da BBQ Only Girls, projeto pioneiro em surf trips femininas, a rede de apoio formada nessas experiências é uma das grandes forças do movimento. “Ser mulher no surfe tem desafios, como em tantas outras áreas. A representatividade é real: comecei a surfar quando vi outra mulher surfando. A gente se identifica, tem os mesmos medos e dificuldades.” Em 13 anos de atuação, a BBQ Only Girls já realizou 88 surf trips internacionais exclusivamente para mulheres, em destinos como Costa Rica, Nicarágua, El Salvador, Jamaica e Indonésia. “São grupos de todos os níveis, em que cada uma inspira a outra. Vibramos juntas com as conquistas e evoluímos cole- tivamente. Geralmente somos minoria, mas, quando entendemos a força que temos juntas, ficamos gigantes. Quando descobrimos que conseguimos sim, levamos essa força do surfe para a vida”, resume Bruna.
Encontro das ondas
Moana Filmes, Alex Thompson e Alessandra Ramos
Dalila acrescenta uma observação que ajuda a entender o fascínio por essas experiências: “Às vezes, elas chegam apenas para acompanhar uma amiga e acabam encontrando uma ferramenta transformadora. Uma trip de três dias já abre caminho; em cinco, vem a confiança; em dez, novos mares e culturas alimentam o amor próprio. É lindo de ver. E ainda é só o começo”. O que une todas essas histórias é algo que vai além do esporte: é o encontro entre mulheres que encontram no mar sua própria imensidão. Como resume Isabella: “O mar é um mestre: ensina desapego, resiliência, fluidez e coragem”.