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Por que este cadáver foi sepultado segurando cerâmica de tartaruga há 2,8 mil anos

Descoberta Arqueológica em El Salvador

Uma descoberta arqueológica recente em El Salvador está intrigando especialistas devido à sua singularidade. Um esqueleto encontrado com um recipiente de cerâmica em forma de tartaruga marinha junto à mão, sepultado há cerca de 2,8 mil anos, pode pertencer a uma civilização anterior à dos maias.

A combinação entre a posição incomum do corpo — de bruços, com o rosto voltado para o solo — e o objeto funerário levantou novas hipóteses sobre os rituais e as crenças religiosas dessas populações antigas. O esqueleto ainda será submetido à datação por radiocarbono e análises de DNA para identificar, entre outros aspectos, o sexo biológico da pessoa sepultada.

Contexto Geológico e Histórico

A escavação foi conduzida pelo arqueólogo Carlos Flores Manzano, com supervisão de especialistas da Direção Nacional do Patrimônio Cultural. Os restos mortais foram encontrados sob uma camada de cinzas deixada pela erupção do vulcão Plan de la Laguna, que aconteceu entre aproximadamente 850 e 830 a.C. Esse contexto geológico sugere que o sepultamento pertence ao Período Pré-Clássico Médio da Mesoamérica.

Os arqueólogos encontraram um pequeno vaso de cerâmica moldado na forma de uma tartaruga marinha próximo à mão do indivíduo. Embora os responsáveis não atribuam um significado específico ao objeto, sugere-se que ele possa ter desempenhado um papel simbólico no ritual funerário.

Interpretações e Debates

Uma das interpretações propostas por Manzano afasta a ideia de que o enterro esteja necessariamente relacionado a um sacrifício humano. Em vez disso, a posição incomum do sepultamento pode estar relacionada a uma antiga compreensão do cosmos e do submundo.

A descoberta também reacendeu uma antiga discussão entre arqueólogos sobre a existência de sacrifícios humanos na região durante esse período. A interpretação não é consenso, e o próprio Flores Manzano questionou a hipótese de que todos aqueles sepultamentos representassem sacrifícios humanos.

Próximos Passos da Pesquisa

Além do esqueleto e do vaso cerâmico, os arqueólogos identificaram sulcos utilizados para o cultivo de mandioca preservados sob camadas de cinzas de diferentes erupções vulcânicas. Esses vestígios ajudam a reconstruir a ocupação humana da região ao longo de séculos.

Os pesquisadores acreditam que a área possa esconder um conjunto maior de sepultamentos, semelhante ao encontrado anteriormente em Chalchuapa. Caso essa hipótese seja confirmada, o sítio poderá fornecer novas informações sobre as práticas funerárias e a organização social das populações pré-hispânicas que viveram onde hoje está El Salvador.

Os trabalhos laboratoriais devem durar aproximadamente um ano. Somente após a conclusão dessas análises será possível determinar com maior segurança por que essa pessoa foi enterrada de bruços e qual era o verdadeiro significado do recipiente em forma de tartaruga colocado junto ao corpo.

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