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Por que casais são mais propensos a compartilhar transtornos psiquiátricos?


Em relacionamentos longos, algumas características individuais podem ser compartilhadas pelo casal, incluindo transtornos psiquiátricos. Um estudo sobre o tema foi publicado em 29 de agosto na revista Nature e divulgado pelo site Science Alert nesta segunda-feira (08).

Para fazer o estudo, pesquisadores analisaram mais de 6 milhões de casais em Taiwan, Dinamarca e Suécia. Como resultado, eles descobriram que as pessoas possuem uma maior probabilidade de ter as mesmas condições psiquiátricas que seus parceiros, como esquizofrenia, transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), autismo, depressão, ansiedade, transtorno bipolar, transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), anorexia e abuso de substâncias.
Chamado pelos cientistas de correlação conjugal, o fenômeno foi significativamente relacionado a crenças religiosas, opiniões políticas, nível educacional e o uso de substâncias. “Descobrimos que a maioria dos transtornos psiquiátricos têm correlações conjugais consistentes entre nações e gerações, indicando sua importância na dinâmica populacional dos transtornos psiquiátricos”, escreveram os pesquisadores no estudo.
Mas, como isso ocorre?
A hipótese é que o fenômeno acontece porque, normalmente, as pessoas se relacionam com indivíduos muito semelhantes e o ser humano limita a escolha de parceiros devido a algumas restrições particulares. Além disso, os casais se tornam ainda mais parecidos quando estabelecem um relacionamento de longo prazo.
Para os pesquisadores, essas questões influenciam a dinâmica do casal. Ainda que tenham ocorrido divergências entre os participantes nos casos de TOC, transtorno bipolar e anorexia, os resultados das análises envolvendo os três países foram estatisticamente parecidas — mesmo com a diferença cultural e dos sistemas de saúde dos envolvidos.
“Como nossos resultados mostram, a semelhança conjugal dentro e entre pares de transtornos psiquiátricos é consistente em todos os países e persistente ao longo de gerações, indicando um fenômeno universal”, ressalta a equipe.
O estudo não diferenciou os casais que se conheceram antes ou depois de algum diagnóstico. No entanto, como a pesquisa conseguiu analisar um grande número de pessoas, os cientistas acreditam que os resultados já são o suficiente para aprofundar a análise da saúde mental entre casais.
Grande parte das pesquisas de análises genéticas indicam que os padrões de reprodução entre humanos acontecem de forma aleatória, mas o estudo atual questiona essa hipótese. Além disso, a pesquisa analisou gerações sucessivas apenas em Tawian e descobriu que, se dois pais possuem o mesmo transtorno, o filho deles tem um maior risco de manifestar a condição.
Agora, a equipe quer ter acesso a mais dados para realizar pesquisas mais aprofundadas no futuro para entender as causas do fenômeno. Caso pessoas com transtornos psiquiátricos tenham maiores probabilidades de ficarem juntas, logo, existem mais fatores envolvendo riscos genéticos e como eles começam.
Através dessas informações, seria possível estabelecer métodos de tratamento. “Dada a onipresença da correlação conjugal, é importante levar em consideração padrões de reprodução não aleatórios ao planejar estudos genéticos de transtornos psiquiátricos”, escrevem os pesquisadores.