Por que a “barriga de chope” pode ser tão perigosa para a saúde do coração
A distribuição da gordura corporal é um fator determinante para a saúde do coração, especialmente entre homens. Um estudo recente apresentado no congresso da Sociedade Radiológica da América do Norte (RSNA) nos Estados Unidos, analisou o impacto do acúmulo de gordura abdominal, popularmente conhecida como “barriga de chope”, sobre a estrutura cardíaca de adultos sem diagnóstico prévio de doença cardiovascular.
Os pesquisadores avaliaram mais de 2.200 homens e mulheres com idades entre 46 e 78 anos, que foram submetidos a exames detalhados de ressonância magnética do coração. Eles observaram que o acúmulo de gordura abdominal esteve associado a alterações cardíacas consideradas mais preocupantes do que aquelas relacionadas apenas ao excesso de peso global.
A obesidade abdominal merece atenção especial porque está diretamente ligada ao acúmulo de gordura visceral, que se deposita profundamente no abdômen, ao redor de órgãos como o fígado. Esse processo cria um estado de inflamação crônica de baixo grau e favorece manifestações como resistência à insulina, alterações no colesterol e aumento da pressão arterial, fatores que sobrecarregam o coração ao longo do tempo.
Os resultados dos exames de imagem mostraram um remodelamento do músculo cardíaco à medida que a relação cintura-quadril aumentava. Isso significa que havia um espessamento do músculo cardíaco, especialmente no ventrículo esquerdo, acompanhado de uma redução do espaço interno das cavidades.
- O coração funciona como uma bexiga elástica, que precisa de espaço para se encher de sangue e de flexibilidade para esvaziar a cada batida.
- Com a obesidade e o estado inflamatório crônico, o coração passa a trabalhar contra uma pressão maior.
- Como qualquer músculo submetido a esforço contínuo, suas paredes se tornam mais espessas ao longo do tempo.
No início, o órgão tenta compensar batendo mais rápido. Mas, com o passar do tempo, essa sobrecarga compromete sua capacidade de relaxamento. O resultado pode ser um tipo de insuficiência cardíaca em que o coração ainda consegue contrair, mas não se enche adequadamente, prejudicando a circulação de oxigênio e nutrientes pelo corpo.
Medidas simples, como a circunferência da cintura e a relação cintura-quadril, podem ser obtidas com uma fita métrica e fornecem informações relevantes sobre o risco. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), valores de circunferência da cintura acima de 90 cm para homens e 85 cm para mulheres indicam maior risco cardiovascular.
É essencial que o processo de emagrecimento aconteça a partir de hábitos saudáveis, que sejam mantidos a longo prazo. Atividade física regular e alimentação equilibrada são fundamentais, especialmente porque a gordura visceral responde melhor ao exercício e pode ser reduzida mesmo sem grande perda de peso.
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