Pixar Dispensa IA e Busca Retorno Às Origens em Nova Animação
A Pixar, uma das mais conceituadas empresas de animação do mundo, está buscando um retorno às suas origens em sua nova animação, Hoppers. Em vez de utilizar inteligência artificial (IA) para criar a animação, a empresa está apostando em um processo mais artesanal e humano.
De acordo com Ivo Kos, executivo de design de objetos e efeitos visuais da Pixar, a empresa está buscando resgatar sua cultura criativa em um contexto de conteúdos efêmeros e concorrência agressiva. “Discutimos a importância de resgatar a cultura da empresa em um contexto de conteúdos efêmeros e concorrência agressiva”, conta Kos.
A Pixar está mantendo a cautela em relação à utilização de IA em sua produção. “Como toda empresa de tecnologia, temos interesse em IA, é óbvio. Mas ainda não encontramos uma forma de integrá-la aos nossos processos, que são essencialmente artesanais”, afirma Kos.
Em Hoppers, a Pixar está utilizando um processo de imersão que inclui consultorias com PhDs em biologia e a criação de biomas reais em argila para servirem de referência. A tecnologia atua de forma cirúrgica, convertendo referências físicas em modelos 3D, sem suprimir o traço humano.
- Pesquisa de campo: A equipe da Pixar realizou pesquisas de campo no Parque Yellowstone e no Zoológico de Oakland para garantir a precisão técnica do filme.
- Modelagem: Os artistas da Pixar criaram uma ferramenta de “pincel customizado” que aplicava pinceladas sobre os modelos para simplificar fundos e manter texturas.
- Desenho: O diretor Daniel Chong e o chefe de história, John Cody Kim, utilizaram o desenho manual para calibrar o tom da protagonista Mabel.
- Storytelling: O diretor Daniel Chong estabeleceu um ambiente de colaboração horizontal onde a equipe trabalhava com todas as mãos no deck, incentivando que artistas de qualquer nível dessem opiniões para evitar que o processo se tornasse “precioso” demais.
A Pixar está buscando provar que, no mundo dos bits, o que ainda sustenta o prédio é a solidez do toque humano. Com Hoppers, a empresa está apostando em um processo oposto à automatização das IAs que criam tudo sozinhas, e está utilizando dados reais, extraídos de modelos físicos e biológicos, para alimentar seu sistema de animação 3D.
A postura institucional da Pixar ecoa a crítica de Pete Docter, diretor criativo da empresa, que definiu o impacto da IA generativa como “blob average”, algo como uma “média sem graça”. A tecnologia tende a “lixar as arestas da criatividade”, entregando resultados que são apenas amálgamas do que já existe.
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