Petrônio Gontijo: Um Retorno ao Teatro com “Descobridores do Amor”
O ator Petrônio Gontijo está de volta aos palcos com a peça “Descobridores do Amor”, escrita e dirigida por João Garcia Miguel. Após uma temporada no Brasil, a montagem agora percorre o interior de Portugal, levando ao público uma jornada poética e visceral pelo universo de Luís de Camões.
Para Petrônio, o convite para participar da peça foi uma surpresa que se juntou à sua vontade de voltar para o palco. “Eu não fazia teatro desde ‘Caros Ouvintes’, do Otávio Martins, no MASP, há dez anos. O teatro é minha origem, a forma de arte que me ensinou tudo o que sei. É como se eu estivesse voltando para casa”, conta.
A peça explora a fome – física, criativa e existencial – que atravessa o artista e o ser humano. O personagem Zarolho, vivido por Gontijo, é um poeta inspirado em Camões, em busca de ultrapassar seus medos e dificuldades. “Zarolho se isola em uma gruta e convoca quatro personalidades para enfrentá-lo: um velho, uma velha, um homem autoritário e uma criança. A partir daí, a peça se constrói”, explica o ator.
Um Processo Intenso e Emocional
A montagem foi preparada em apenas um mês e meio, um processo intenso tanto técnica quanto emocionalmente. “A assimilação do texto no português particular e poético do João foi o meu maior desafio”, diz Petrônio. “Ensaiávamos durante o dia e à noite usávamos para decorar o texto. Eram horas ininterruptas de trabalho até altas horas.”
O trabalho também despertou lembranças profundas. “Foi um reencontro com a história da minha mãe, Neyde Gontijo, professora de literatura portuguesa. Quando eu nasci, uma das primeiras imagens que tenho era da cama dela, cheia de livros de autores portugueses. Estar fazendo um personagem que é uma homenagem a Camões, aqui em Portugal, é bem emocionante. É como reencontrar o talento e o carinho dela pela literatura.”
- A peça “Descobridores do Amor” fala diretamente sobre o papel e o dilema do artista – tanto no passado quanto no presente.
- O personagem Zarolho representa o próprio artista e seus dilemas: o medo da instabilidade da profissão e a fome, tanto a física quanto a artística.
- A peça explora a luta pelo reconhecimento, sobre como ser fiel a si mesmo e à própria obra.
Para Petrônio, o teatro é um espaço de resistência e um local de ação e de troca de ideias com absoluta liberdade. “O teatro sempre foi, por excelência, um local de ação e de troca de ideias com absoluta liberdade. Isso não mudou e não vai mudar. Ele coloca o homem diante de si próprio. O teatro é eterno”, afirma.
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