Descoberta no Theatro Municipal do Rio
O Salão Assyrio do Theatro Municipal do Rio de Janeiro guardava um segredo há 117 anos. Uma frase em cuneiforme, escrita em persa antigo, decorava a parede do painel central do espaço, sem que ninguém soubesse o que dizia. No entanto, em 2025, o professor Alex Mazzanti Júnior, da UFRJ, reconheceu os traços do persa antigo durante uma visita casual e decidiu investigar.
Com a ajuda do arqueólogo Matheus Treuk, da UERJ, especializado em Pérsia Aquemênida, eles decifraram a inscrição. A frase é uma saudação ao rei Artaxerxes, soberano da antiga Pérsia no século 5 a.C. O texto diz: “Do Apadana de Artaxerxes, grande rei, rei dos reis, filho do rei Dario”. A inscrição está localizada acima de um altar de fogo, entre um guardião com lança e a figura do próprio rei em gesto de oferenda.
A Origem do Salão Assyrio
O Salão Assyrio foi criado entre 1905 e 1909 pela empresa francesa Grès Muller, a mesma que fez as balaustradas de cerâmica da Torre Eiffel. A decoração do salão foi inspirada em artefatos persas expostos no Louvre e em pavilhões da Exposição Universal de 1889. No entanto, não copiou nenhuma fonte específica, misturando referências de Susa, Persépolis e Naqsh-i Rostam numa composição própria e erudita.
A descoberta da inscrição em persa antigo também ressuscita uma polêmica antiga. Já na inauguração do teatro, em 1909, cronistas questionavam se o espaço não seria mais persa do que assírio. A pesquisa foi publicada na SciELO e os autores defendem que o Salão Assyrio merece lugar de destaque nos estudos sobre orientalismo e recepção da Antiguidade no Brasil.
- A descoberta da inscrição em persa antigo é um exemplo de como a história pode ser redescoberta e reinterpretada.
- O Salão Assyrio é um exemplo de como a arte pode ser inspirada em diferentes culturas e períodos históricos.
- A pesquisa sobre a inscrição em persa antigo é um exemplo de como a ciência pode ser aplicada para entender melhor o passado.
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