Pesquisa mostra que alterações na respiração podem estar ligadas à hipertensão
Um estudo recente realizado por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) descobriu que alterações nos padrões respiratórios podem desencadear hipertensão. A pesquisa, publicada na revista científica Circulation Research, aponta que neurônios da região parafacial lateral (pFL) modulam a atividade simpática durante a expiração, contraindo vasos sanguíneos e contribuindo para picos de pressão arterial e hipertensão neurogênica.
Os cientistas utilizaram técnicas avançadas para manipular e registrar a atividade neuronal em ratos. A ativação optogenética desencadeou expiração ativa e modulou positivamente a atividade simpática, elevando a pressão arterial. Já a inibição farmacogenética eliminou a excitação simpática relacionada à expiração e normalizou a pressão arterial em ratos hipertensos.
Implicações para o tratamento da hipertensão
A descoberta aponta alvos para a busca por novos tratamentos para a hipertensão. O professor Davi José de Almeida Moraes, do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP e autor correspondente do artigo, explica que a proposta do ponto de vista terapêutico não é modular o sistema nervoso central diretamente, mas sim manipular farmacologicamente os sensores de oxigênio para reduzir a atividade dos neurônios da pFL por meio dos receptores para o ATP (adenosina trifosfato).
Alguns dos principais fatores que influenciam os níveis de pressão arterial incluem:
- Fumo
- Consumo de bebidas alcoólicas
- Obesidade
- Estresse
- Elevado consumo de sal
- Altos níveis de colesterol
- Falta de atividade física
A hipertensão é o fator de risco isolado mais importante para doenças cardiovasculares, sendo uma das principais causas de ataques cardíacos, acidente vascular cerebral (AVC) e doenças renais crônicas. No Brasil, dados do Ministério da Saúde indicam que a hipertensão afeta cerca de 30% dos adultos.
O estudo contou com financiamento da Fundação por meio de outros cinco projetos e bolsas, e foi realizado em parceria com pesquisadores da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP-USP) e do Centro de Pesquisa Cardíaca da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade de Auckland (Nova Zelândia).
Este conteúdo pode conter links de compra.
Fonte: link