Pesquisa Mostra Impacto da Violência Armada nos Estudos de Crianças no Rio
Um estudo recente publicado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), Instituto Fogo Cruzado e Grupo de Estudos de Novos Ilegalismos (GENI/UFF) revela que quase 190 mil crianças e adolescentes da rede municipal do Rio de Janeiro tiveram seus trajetos até a escola afetados por interrupções no transporte público causadas pela violência armada entre janeiro de 2023 e julho de 2025.
Os pesquisadores utilizaram registros de interrupções no transporte público e dados de violência armada provenientes de diferentes sistemas de monitoramento, incluindo ônibus, trens, metrô, BRT e dados próprios do Instituto Fogo Cruzado. No período estudado, 2.228 interrupções foram registradas, afetando cerca de 95% das unidades escolares ativas em 2024.
Impacto na Mobilidade e no Acesso à Educação
A violência armada incide sobre a mobilidade urbana em múltiplas dimensões, restringindo a circulação tanto de forma direta, por meio de bloqueios, tiroteios, barricadas e operações policiais, quanto de forma indireta, ao alterar horários, rotas e decisões cotidianas sobre deslocamento. Isso impõe barreiras silenciosas, mas persistentes, ao acesso à escola e aprofunda desigualdades que já estavam colocadas.
Os bairros de Penha, Bangu e Jacarepaguá são exemplos de áreas onde a imprevisibilidade do deslocamento passa a ser a regra, e não a exceção. A mobilidade interrompida afeta de forma desproporcional essas comunidades, comprometendo o acesso à educação e aprofundando desigualdades existentes.
Consequências para as Crianças e Adolescentes
- Nenhuma criança deveria deixar de chegar à escola porque não consegue se locomover em segurança pela cidade.
- A mobilidade é direito e condição para que crianças e adolescentes possam aprender, acessar serviços de saúde e viver plenamente a cidade.
- A violência armada transforma o deslocamento cotidiano em um risco permanente, aprofundando desigualdades existentes e comprometendo o acesso a direitos.
Os resultados do estudo destacam a importância de garantir a mobilidade segura e o acesso à educação para todas as crianças e adolescentes, independentemente de sua localização geográfica ou condição socioeconômica.
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