Descoberta sobre o Parasita Cerebral Toxoplasma gondii
O Toxoplasma gondii, responsável pela toxoplasmose, é um parasita que infecta cerca de um terço da população mundial. Ele tem a capacidade de permanecer no corpo humano por toda a vida, principalmente no cérebro e nos músculos, onde se instala em cistos microscópicos. Por décadas, esses cistos foram considerados estruturas biologicamente inativas, mas um novo estudo sugere que essa visão pode estar incorreta.
Os pesquisadores da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, analisaram parasitas retirados diretamente de cistos formados em tecidos vivos e identificaram um nível de organização interna até então desconhecido. Eles observaram que cada cisto abriga múltiplos subtipos de bradizoítos, com funções biológicas distintas, e que esses subtipos não coexistem de forma aleatória.
Organização Interna dos Cistos
A organização interna dos cistos é caracterizada por uma divisão funcional clara, com alguns parasitas voltados à manutenção de longo prazo dentro do hospedeiro, outros à transmissão entre hospedeiros e aqueles preparados para se reativar caso as condições imunológicas se alterem. Isso sugere que o cisto não é um simples refúgio passivo, mas sim uma estrutura dinâmica capaz de responder a pressões do ambiente interno.
A formação dos cistos ocorre gradualmente à medida que o sistema imunológico limita a multiplicação do parasita. Cada cisto é envolto por uma parede protetora e pode conter centenas de bradizoítos. Com dimensões que podem chegar a 80 micrômetros, essas estruturas são grandes para padrões de patógenos intracelulares e se instalam com frequência em neurônios, além de músculos esqueléticos e cardíacos.
Reativação e Riscos Clínicos
A organização interna dos cistos ajuda a explicar por que a toxoplasmose pode se tornar grave em contextos específicos. Quando o equilíbrio imunológico é rompido, os subtipos de bradizoítos preparados para a reativação se transformam em taquizoítos, a forma de multiplicação rápida do parasita. Isso pode causar encefalite toxoplásmica ou lesões oculares com risco de perda visual.
A descoberta também lança luz sobre as limitações dos tratamentos atuais. Os medicamentos disponíveis atuam apenas sobre os taquizoítos e são eficazes no controle da fase aguda da doença, mas não afetam os cistos. A identificação dos subtipos dentro do cisto que estão associados à reativação pode abrir caminho para terapias mais direcionadas e potencialmente capazes de interromper a infecção crônica.
- Os cistos de Toxoplasma gondii não são inativos, mas sim estruturas dinâmicas capazes de responder a pressões do ambiente interno.
- A organização interna dos cistos é caracterizada por uma divisão funcional clara, com subtipos de bradizoítos com funções biológicas distintas.
- A reativação dos cistos pode causar encefalite toxoplásmica ou lesões oculares com risco de perda visual.
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