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Os Aplicativos para Fazer Amigos Realmente Funcionam? Um Psicólogo Responde

Os Aplicativos para Fazer Amigos Realmente Funcionam? Um Psicólogo Responde

Fazer novas amizades na infância ou na adolescência é muito mais fácil e natural do que na vida adulta, principalmente após os 30 anos. Isso ocorre porque as prioridades mudam e o tempo se torna cada vez mais escasso. A Teoria da Seletividade Emocional, desenvolvida pela psicóloga Laura Carstensen, confirma essa mudança, destacando que, à medida que envelhecemos, a percepção de tempo muda e passamos a focar na qualidade e na profundidade emocional das relações.

Um dos fatores que contribui para o afastamento emocional é a própria tecnologia. Embora seja uma ferramenta para aproximar pessoas de qualquer parte do mundo, também contribui para o isolamento social. Segundo dados da OMS, a solidão já afeta uma em cada seis pessoas no mundo, sendo mais comum entre adolescentes, jovens e idosos.

É justamente nesse momento da vida, quando as pessoas estão se sentindo sozinhas e buscando interação humana, que os aplicativos para fazer amigos ganham espaço. Funcionam como um Tinder ou outros apps de relacionamento para namoro, mas o foco é ajudar no contato inicial entre pessoas que buscam fazer amizades. Alguns exemplos incluem:

  • Bumble For Friends (Bumble BFF): uma versão do aplicativo de namoro que prioriza conexões locais.
  • Hoop: conecta os usuários por meio de likes e matches, redirecionando para o Snapchat para iniciar conversas.
  • Meetup: foca em comunidades e grupos focados em hobbies, profissões ou atividades, possibilitando conhecer quem tem interesses em comum.
  • Yubo: aposta nas lives e chamadas ao vivo para promover as conexões entre usuários.
  • Trip BFF: uma versão para quem viaja sozinho e quer fazer amigos no destino.

No entanto, o psicólogo Vitor Muramatsu explica que, para o contato inicial, os aplicativos de amizade podem ser úteis, mas raramente oferecem condições para que as relações sejam duradouras. É indispensável haver revelação mútua e vulnerabilidade, compartilhando vivências pessoais, algo que pode ser difícil de alcançar apenas por meio de aplicativos.

Para se desenvolver uma amizade verdadeira, é necessário investir tempo presencial. Estudos mostram que são necessárias cerca de 50 horas de convivência para que alguém se torne um amigo casual, 90 horas para se considerar amigo de alguém e 200 horas para se tornar um amigo íntimo.

O segredo das amizades após os 30 é dedicar tempo de qualidade, sinônimo de interações presenciais e trocas reais. A amizade é o vínculo interpessoal mais vulnerável porque não depende de laços biológicos ou de compromissos contratuais rígidos, dependendo exclusivamente da vontade e da disponibilidade mútuas.

Em resumo, os aplicativos para fazer amigos podem ser úteis para o contato inicial, mas é necessário ir além disso, buscando atividades rotineiras compartilhadas e interações presenciais para construir amizades verdadeiras.

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