Oceanos mais ácidos podem estar diminuindo o cérebro de animais marinhos inteligentes
A acidificação dos oceanos, causada pelo aumento dos níveis de gás carbônico (CO2) na atmosfera, tem sido um tema de grande preocupação nos últimos anos, especialmente em relação aos recifes de corais. No entanto, uma nova pesquisa sugere que a acidificação do oceano pode ter um impacto ainda mais profundo nos animais marinhos, afetando a anatomia do cérebro de cefalópodes, como lulas e polvos.
Estudos realizados na Estação de Pesquisa Marinha da Academia Sinica, em Taiwan, mostraram que as lulas criadas em águas com níveis de pH mais baixos, simulando as condições do oceano em 2100, apresentaram uma redução de cerca de 50% no volume cerebral em comparação com as lulas criadas em condições oceânicas modernas.
Os pesquisadores observaram que as áreas do cérebro responsáveis pela informação visual foram as mais afetadas, o que pode estar relacionado às mudanças no comportamento alimentar dos animais. Além disso, os estudos mostraram que a exposição prolongada a níveis elevados de CO2 pode afetar a capacidade das lulas de caçar e se alimentar.
- Redução de 52% no volume do lobo óptico, responsável pela visão;
- Redução de 62% no volume do trato óptico, responsável pela transmissão de informações visuais;
- Redução de 65% nos comportamentos de caça após 7 dias de exposição a níveis elevados de CO2;
- Redução de 42% nos comportamentos de caça após 90 dias de exposição a níveis elevados de CO2.
Os pesquisadores acreditam que a redução do volume cerebral dos cefalópodes pode estar relacionada a limitações energéticas no cérebro ou danos oxidativos, o que pode afetar a capacidade do cérebro de transmitir informações corretamente.
Esses resultados são preocupantes, pois os cefalópodes são considerados alguns dos animais mais inteligentes do oceano, e a redução do volume cerebral pode ter implicações significativas para a sua sobrevivência e bem-estar.
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