O que revelam os itens de ouro encontrados no naufrágio do século 18
Um estudo recente publicado na revista Heritage Science trouxe novas luzes sobre um dos episódios mais emblemáticos da era da pirataria e do comércio atlântico nas Américas. A análise de artefatos recuperados do naufrágio do Whydah Gally, descoberto em 1984 na costa de Cape Cod, nos EUA, contesta uma antiga narrativa europeia: a de que comerciantes da África Ocidental adulteravam o ouro que vendiam.
A embarcação, capturada em 1717 pelo pirata Samuel Bellamy, afundou durante uma tempestade na costa de Massachusetts, nos Estados Unidos, levando consigo uma carga valiosa composta por metais preciosos, mercadorias comerciais e vestígios diretos do tráfico transatlântico. Desde sua redescoberta, o naufrágio tem sido considerado uma cápsula do tempo do século 18.
Os achados
Entre os achados, destacam-se mais de 300 peças de ouro associadas ao povo Akan, da África Ocidental, uma das principais redes comerciais da chamada “Costa do Ouro”. Durante séculos, registros europeus acusaram esses comerciantes de misturar o metal com substâncias de menor valor – como cobre, prata ou até areia –, prática que inflava o volume do ouro comercializado.
O novo estudo, no entanto, apresenta um quadro distinto. Utilizando técnicas como fluorescência de raios-X e microscopia eletrônica, os pesquisadores analisaram a composição de 27 amostras de ouro do naufrágio. Os resultados mostram que os objetos continham entre 73,5% e 96,7% de ouro.
Implicações históricas
Os resultados têm implicações históricas mais amplas. O início do século 18 foi marcado por transformações na África Ocidental, incluindo a ascensão do Reino Ashanti e o fortalecimento de uma classe mercantil africana. Ao mesmo tempo, novas jazidas descobertas na América portuguesa começavam a alterar o comércio de metais preciosos pelo mundo.
Os autores ressaltam que o estudo não encerra o debate. Novas análises, incluindo técnicas mais precisas, poderão esclarecer a origem exata das peças e investigar possíveis conexões com outros mercados, como o da América do Sul.
- As peças de ouro encontradas no naufrágio do Whydah Gally são um exemplo de como a história pode ser reavaliada com base em novas evidências.
- O estudo desafia a narrativa europeia de que os comerciantes da África Ocidental adulteravam o ouro que vendiam.
- Os resultados têm implicações históricas mais amplas, incluindo a ascensão do Reino Ashanti e o fortalecimento de uma classe mercantil africana.
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