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O que é evidência científica e o que é especulação sobre o El Niño que vem por aí

O que é evidência científica e o que é especulação sobre o El Niño que vem por aí

O El Niño é um fenômeno climático-oceânico que ocorre no Oceano Pacífico tropical, quando as águas da região equatorial centro-leste do oceano ficam mais quentes do que o normal. Ele faz parte de um ciclo natural chamado El Niño – Oscilação Sul (ENOS) e pode afetar o clima em todo o mundo.

Para este ano, a Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) aponta uma probabilidade de 60% de desenvolvimento do “El Niño”, para o trimestre maio-junho-julho, chances que se elevam a mais de 90% a partir da próxima primavera, em setembro. No entanto, a previsão da intensidade do El Niño para a próxima primavera de 2026 é motivo de especulações e, às vezes, de informações sensacionalistas.

Os modelos acoplados de última geração permitem prever a evolução do El Niño com meses de antecedência, estimando as anomalias na temperatura do ar e seus possíveis impactos. No entanto, previsões com prazos maiores podem apresentar mais incertezas e levar a prognósticos incorretos.

Primeiras observações do El Niño

No século XIX, pescadores do norte do Peru e do Equador observaram que um aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial impactava a pesca. Mais tarde, na década de 1920, o cientista Gilbert Thomas Walker identificou que este fenômeno estava associado a diferenças na pressão atmosférica observadas entre regiões do Oceano Pacífico.

A partir da década de 1980, o fenômeno passou a ser extensamente estudado, após o El Niño intenso de 1982-83. O El Niño pode afetar o clima em todo o mundo, causando alterações na precipitação e na temperatura, embora de forma distinta em cada região.

Impactos do El Niño

Entre os vários impactos do El Niño, destacam-se o aumento das chuvas no sul do Brasil e ao longo do litoral do Peru e do Equador; secas na Amazônia e no Nordeste brasileiro; maior frequência de ondas do calor no centro do Brasil; menor frequência de furacões no Atlântico Norte; e aumento das temperaturas globais.

Grandes secas na Amazônia ocorreram durante anos de El Niño, como em 1877-79, 1925, 1972-73, 1983, 1986, 1992-93, 1998, 2010, 2015-16 e 2023-24. No entanto, secas também ocorreram na ausência do El Niño, como em 1963 e 2005 na região amazônica e em 2012 no Nordeste do Brasil.

El Niño e desastres relacionados ao clima

O El Niño não causa desastres climáticos diretamente, mas aumenta ou reduz a probabilidade de eventos extremos no Brasil. Chuvas intensas ou ondas de calor podem ocorrer com ou sem atuação do El Niño, embora o estabelecimento deste fenômeno possa aumentar as chances e os impactos.

Atualmente, a previsão indica que haverá a atuação de um novo El Niño entre a primavera de 2026 e o verão de 2027. No entanto, as previsões sobre a sua intensidade ainda carecem de confiabilidade.

É importante ressaltar que a previsão climática sazonal para o trimestre de maio a julho não indica uma influência clara do El Niño nas precipitações no Brasil. Além disso, não há relação direta entre a intensidade do fenômeno e a gravidade de seus impactos.

Algumas notícias recentemente divulgadas apontam secas severas na Amazônia e no Nordeste brasileiro, assim como chuvas com potencial catastrófico na Região Sul. No entanto, essas notícias não estão sustentadas por dados científicos confiáveis e, em muitas ocasiões, resultam de meras especulações.

  • É fundamental ter cuidado com as notícias sensacionalistas e especulativas sobre o El Niño.
  • É importante buscar informações confiáveis e atualizadas sobre o fenômeno.
  • É necessário aguardar até o próximo inverno para dispor de previsões mais precisas sobre a intensidade e os possíveis impactos do El Niño em desenvolvimento.

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