O Poder da Mulher 60+ e o Tempo como Ato de Liderança
Odete Roitman, interpretada por Beatriz Segall nos anos 1980, foi um símbolo da mulher poderosa, inteligente e confiante que desafiou os estereótipos da sociedade brasileira. Com 62 anos, ela representou a mulher que não pedia licença e que não se curvava às expectativas sociais. Décadas depois, o sucesso feminino, especialmente quando acompanhado da maturidade, ainda incomoda muitas pessoas.
Hoje, a mulher 60+ emerge como uma força econômica, política e cultural que redefine o futuro. Elas acumulam patrimônio, comandam empresas e exigem representatividade, mas continuam invisíveis nas narrativas publicitárias e nas decisões corporativas. O etarismo, um termo cunhado pelo psiquiatra e gerontologista norte-americano Robert Neil Butler, refere-se aos estereótipos, preconceitos e discriminação em razão da idade.
Odete Roitman, agora interpretada por Debora Bloch, também aos 62 anos, é um exemplo de como o tempo pode ser um ativo de liderança. Ela representa a mulher madura, sofisticada e inteligente, um arquétipo da liderança feminina que o Brasil culturalmente amou odiar. No entanto, é importante notar que, segundo o estudo “Women in the Boardroom”, mulheres CEOs são somente 2% da liderança nas empresas brasileiras.
Em contraponto à mulher forte, estereotipada como mãe que lidera a família, Odete emerge complexa e com outras nuances e contornos. Ela é estratégica, assertiva e dona do próprio tempo, atributos celebrados em homens e condenados em mulheres, sobretudo após os 60 anos. A concepção de Odete como vilã pode ter sido uma tradução do incômodo coletivo diante da autonomia feminina em sua forma mais desafiadora.
- O etarismo é um desafio que as mulheres 60+ enfrentam no mercado de trabalho e na sociedade em geral.
- A liderança feminina é fundamental para o desenvolvimento econômico e social do país.
- O tempo é um ativo de liderança que pode ser utilizado para promover a igualdade de gênero e combater o etarismo.
Neste Mês da Pessoa Idosa, é importante celebrar a mulher 60+ e o tempo como potência, e não como limite. O futuro é prateado e ele já começou. É hora de reconhecer o poder e a liderança das mulheres maduras e de combater os estereótipos e preconceitos que as afetam.
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