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O novo luxo não é novo

O Novo Luxo: Uma Mudança de Perspectiva

O conceito de luxo na moda está passando por uma transformação significativa. Durante anos, o luxo foi associado à exclusividade, ao acesso restrito e à novidade permanente. No entanto, em um momento em que o consumidor começa a questionar o excesso, o desperdício e a obsolescência, o verdadeiro símbolo de status talvez não seja mais possuir algo novo, mas possuir algo que sobreviva ao tempo.

Essa mudança de perspectiva foi discutida no Global Fashion Summit, em Copenhague, onde a palavra “permanência” foi a mais mencionada. O luxo contemporâneo começa a migrar da ideia de consumo aspiracional para a ideia de patrimônio cultural. Isso significa que o valor não está apenas no produto, mas em sua capacidade de permanecer relevante estética, cultural e materialmente.

Exemplos de Marca que Adotam a Nova Lógica do Luxo

  • Mulberry: uma das poucas marcas de luxo certificadas como B Corp, que transformou a circularidade em operação concreta através de programas de buy-back e re-commerce, venda de produtos pre-loved e serviços permanentes de reparo.
  • Reformation: que propõe uma redefinição interessante do que significa luxo contemporâneo, com o conceito de “Happy Endings”, que sugere que a relação entre consumidor e roupa não termina na venda.
  • Arc’teryx: que incentiva o reparo, o trade-in e o reaproveitamento de peças como jaquetas impermeáveis, mochilas e roupas técnicas, prolongando a vida útil dos produtos e reduzindo o desperdício.

Essa nova lógica do luxo também está sendo adotada por marcas como a Sotheby’s, que trata bolsas de luxo como ativos comparáveis a obras de arte, e a Brunello Cucinelli, que construiu sua filosofia em torno do conceito de “Humanistic Capitalism”, priorizando dignidade humana, crescimento sustentável e visão de longo prazo.

Em resumo, o novo luxo não é mais sobre substituição, mas sobre continuidade. O valor não está apenas no produto, mas em sua capacidade de permanecer relevante estética, cultural e materialmente. Isso exige uma transformação estrutural e cultural na indústria da moda, que começa a priorizar a sustentabilidade e a circularidade.

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