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O desmatamento e o risco econômico para o agronegócio brasileiro

O Desmatamento e o Risco Econômico para o Agronegócio Brasileiro

O agronegócio brasileiro tem sido sustentado por uma lógica de expansão agropecuária que não leva em consideração as externalidades geradas pela destruição de florestas e ecossistemas naturais. No entanto, o mercado internacional começa a associar instabilidade produtiva à instabilidade climática, diretamente vinculada ao aumento do desmatamento.

Estudos científicos brasileiros demonstram que o desmatamento na Amazônia reduz chuvas e receitas agrícolas em escala regional, criando um cenário descrito como um “jogo econômico de soma negativa”. Além disso, o relatório The Resilience Dividend, da The Nature Conservancy, mostra que apenas cinco commodities de alto risco de desmatamento – soja, carne bovina, café, cacau e óleo de palma – já representam mais de 20% do valor das importações agrícolas da União Europeia.

Riscos Econômicos do Desmatamento

O desmatamento pode gerar perdas econômicas significativas para o agronegócio brasileiro. Alguns dos riscos incluem:

  • Aumento do custo produtivo devido à perda de serviços ambientais, como chuva, regulação térmica e fertilidade do solo.
  • Encarecimento do custo de financiamento devido à perda de competitividade internacional e ao aumento do risco climático.
  • Deterioração das condições comerciais devido à exclusão comercial e ao aumento do custo financeiro.

Além disso, o desmatamento pode gerar perdas financeiras significativas para empresas globalmente. O The Resilience Dividend estima que riscos ligados ao desmatamento podem representar US$ 78,6 bilhões em passivos financeiros potenciais para empresas globalmente.

Uma Lógica Econômica mais Equilibrada

O mercado começa a diferenciar ativos resilientes de ativos vulneráveis. Produtores associados a cadeias rastreáveis e livres de desmatamento tendem a acessar melhores mercados, crédito mais barato e contratos mais estáveis. Já operações ligadas à conversão de vegetação nativa enfrentam risco crescente de exclusão comercial, aumento de custo financeiro e perda de competitividade internacional.

O Brasil não precisa desmatar para continuar expandindo sua produção agropecuária. O país possui dezenas de milhões de hectares de pastagens degradadas e subutilizadas aptas para recuperação produtiva. Estudos clássicos sobre uso eficiente da terra mostram que apenas a intensificação de uma parcela das áreas já abertas seria suficiente para expandir significativamente a produção sem novas derrubadas.

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