O Caminho da Resiliência Brasileira: Um Enfoque Territorial
O Brasil enfrenta desafios significativos em relação às mudanças climáticas, com secas recorde, enchentes devastadoras e ondas de calor que afetam a vida das comunidades. A adaptação às mudanças climáticas se tornou uma necessidade urgente, e é fundamental que seja conduzida com protagonismo dos povos indígenas e das comunidades tradicionais, que estão na linha de frente da adaptação no país.
Um estudo recente da TNC Brasil, “Territórios de Resiliência”, analisou como povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais respondem à crise climática na prática. O estudo identificou soluções de adaptação lideradas localmente, que combinam mitigação e adaptação, e mostrou que essas comunidades não são beneficiárias passivas, mas protagonistas de soluções que podem orientar políticas públicas e estratégias de resiliência em larga escala.
Principais Achados do Estudo
- A adaptação nasce do território, não do gabinete, e a governança comunitária sustenta as respostas mais eficazes.
- Direitos territoriais são a primeira política de adaptação, e sem demarcação, segurança fundiária e proteção das áreas de uso comum, nenhuma iniciativa se sustenta no longo prazo.
- O papel das mulheres e dos jovens é fundamental, pois conduzem práticas agroecológicas, organização comunitária e transmissão de saberes.
- O financiamento climático raramente chega a quem de fato produz adaptação, e a burocracia é incompatível com a realidade local.
O estudo também destacou a importância de garantir direitos territoriais, estabelecer financiamento direto e plurianual para iniciativas conduzidas por comunidades, valorizar instituições locais e integrar políticas de alimentação, água, energia e financiamento às soluções já existentes.
Conclusão
A adaptação climática no Brasil será territorial ou será insuficiente. É fundamental que o país alinhe político e financeiramente com a força dos territórios, garantindo direitos territoriais, financiamento direto e plurianual, e valorizando instituições locais. A crise climática é global, mas a adaptação local é a chave para a resiliência, e o Brasil está construindo, silenciosamente, algumas das respostas climáticas mais consistentes da próxima década.
Este conteúdo pode conter links de compra.
Fonte: link