Entrevista com Tereza de Arruda: O Brasil está num Caminho Acelerado
A 16ª edição da Bienal de Curitiba está prestes a abrir suas portas com o título “Limiares”, uma palavra que condensa o argumento central da curadoria de Adriana Almada e Tereza de Arruda. A ideia é que vivemos um tempo em que as fronteiras entre o humano e o tecnológico, o presente e o que vem a seguir estão suficientemente porosas para que a arte também precise confrontar um conjunto de incertezas.
Tereza Arruda, curadora e crítica de arte baseada na Alemanha há décadas, transita entre o circuito europeu e o brasileiro, e é justamente uma posição entre-lugares que informa sua leitura do momento atual. Ela construiu uma Bienal que vai além dos limites físicos das instituições, com obras em realidade aumentada ocupando o espaço público de Curitiba, além de uma Art Week e outros núcleos culturais da cidade fazendo parte do programa.
Os 28 artistas convidados trabalham com tecnologia como ferramenta, seja para resgatar memórias apagadas, especular sobre futuros possíveis, mapear riscos ambientais ou reinterpretar arquivos históricos. A pergunta que dá o tom dessa edição está menos em se a inteligência artificial vai transformar alguma coisa na arte do que os artistas fazem quando decidem utilizá-la.
A Relação entre Arte e Ciência
A relação entre arte e ciência é um muro com que a história da arte já esbarrou várias vezes. Tereza Arruda enxerga alguma especificidade em como ela se apresenta agora, com as ferramentas sendo usadas para reconstruir memórias que nunca foram devidamente trabalhadas. A inteligência artificial não nos leva só para o futuro, mas ao passado também, para tentarmos entender onde chegamos e como e por quê.
Na Bienal, isso se manifesta em várias direções, com artistas apresentando propostas sobre sustentabilidade e riscos da natureza, inclusive especulações sobre como poderiam ser criados novos seres capazes de sobreviver a condições cada vez mais adversas. E há também esse resgate histórico através da inteligência artificial, esse movimento de voltar ao que aconteceu para chegar ao presente com mais clareza e poder seguir em termos de futuro.
O Processo Curatorial
A Bienal vai se expandir para além dos espaços institucionais, com obras produzidas a partir de trabalhos da exposição para a realidade aumentada. Isso é uma forma de levar a Bienal para o espaço público e atingir uma população que não frequenta instituições. A curadoria deve ser assim, pensada em camadas, começando pelas redes sociais, vamos para o espaço público, e chegamos ao núcleo que são os locais expositivos.
Os jovens curadores devem se questionar sobre como atingir o máximo de público para que as pessoas se movam, para que tenham essa experiência de compartilhamento em loco. Talvez seja essa uma pergunta que os jovens curadores devam fazer, e continuar se questionando sobre ela ao longo da vida.
- A Bienal de Curitiba está lançando oficialmente o Art Week, uma semana de arte que acontece nos dias que antecedem a abertura e se estende por alguns dias depois.
- A cidade de Curitiba está investindo em novos equipamentos culturais, inclusive uma antiga cervejaria que está sendo reformada para se tornar um centro cultural.
- O Brasil está num caminho acelerado e, a meu ver, muito aberto, com discussões sérias acontecendo e pessoas investigando com rigor.
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