Novo estudo levanta alerta para quem usa fogão a gás; especialista explica
Um estudo publicado em 2026 no periódico The Journal of Allergy and Clinical Immunology: In Practice indica que o fogão a gás pode piorar o controle da asma, e que a troca por um modelo elétrico reduziu os sintomas em pessoas com a doença mal controlada. Os pesquisadores associam esse resultado à redução da exposição ao dióxido de nitrogênio (NO₂), poluente liberado durante a combustão do gás no preparo dos alimentos.
O tema interessa a quem cozinha em casa com fogões de marcas como Brastemp, Consul, Electrolux e Atlas, já que o gás de cozinha é o combustível da maioria dos aparelhos no Brasil. Para entender melhor, o TechTudo ouviu o mestre em Pneumologia e especialista do Instituto de Doenças Respiratórias de Santos, Alex Macedo, que explica o mecanismo por trás do alerta, aponta os grupos mais vulneráveis e detalha medidas que reduzem a exposição.
O que descobriu o novo estudo sobre fogões a gás e asma?
O estudo, conduzido por Ashwini Sehgal e colegas, substituiu o fogão a gás por um elétrico nas casas de 85 pessoas com asma mal controlada. Os pesquisadores mediram o controle da doença por um questionário padronizado, o ACQ, antes da troca e de dois a três meses depois, além de acompanhar idas ao pronto-socorro e faltas no trabalho ou na escola.
Os resultados mostraram melhora no período após a instalação do fogão elétrico. A pontuação do ACQ caiu de 2,6 para 1,5, o que representa uma mudança de asma moderada para leve na média do grupo. As idas ao pronto-socorro ou internações nas quatro semanas anteriores passaram de 11,8% para 3,5% dos participantes, e o NO₂ dentro de casa recuou de 21,0 para 6,3 ppb, uma queda de cerca de 70%.
Quem deve se preocupar mais com a qualidade do ar dentro de casa?
Os grupos mais vulneráveis à poluição do ar interno são as pessoas com doenças respiratórias, como asma e rinite, além de crianças, idosos e gestantes, que reagem mais à exposição a poluentes. Para essas pessoas, a qualidade do ar dentro de casa merece atenção redobrada, sobretudo na cozinha durante o preparo das refeições.
Algumas medidas simples podem reduzir a concentração de poluentes na cozinha, como melhorar a ventilação durante e após o preparo das refeições, usar um depurador ou exaustor de ar sobre o fogão e abrir as janelas enquanto se cozinha. Alternar o uso do fogão com aparelhos como air fryer e micro-ondas também pode diminuir o tempo de exposição contínua ao fogo.
Conclusão
A troca do fogão a gás por um modelo elétrico pode ser uma opção para quem convive com doença respiratória e usa muito o fogão. No entanto, para a maioria das pessoas, controlar a ventilação e usar exaustor já traz benefício. É importante lembrar que a origem da energia elétrica também é um fator importante a ser considerado.
- Os grupos mais vulneráveis à poluição do ar interno são as pessoas com doenças respiratórias, como asma e rinite, além de crianças, idosos e gestantes.
- A troca do fogão a gás por um modelo elétrico pode ser uma opção para quem convive com doença respiratória e usa muito o fogão.
- Medidas simples, como melhorar a ventilação e usar exaustor, podem reduzir a concentração de poluentes na cozinha.
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