O Pop Latino no Brasil: Uma História de Resistência e Acolhimento
O recente sucesso de Bad Bunny no Brasil, com shows esgotados em São Paulo, pode levar a crer que o país finalmente rompeu sua bolha de isolamento em relação à música latina. No entanto, a verdade é que outros artistas latinos pavimentaram o caminho para que Benito construísse sua “casita” no mercado brasileiro.
Em 2010, quando escrevi sobre a “onda latina” para a revista “Billboard”, o cenário era de resistência. A música latina era vista como algo obrigatoriamente “chocalho na mão e rebolado”, e os artistas que não se encaixavam nesse molde eram ignorados ou rotulados como “brega”. No entanto, nomes como Alejandro Sanz e Shakira lutavam por espaço nas rádios, e Shakira se aventurou por hits em inglês para mudar de patamar e virar uma popstar global.
Artistas que Pavimentaram o Caminho
- O RBD, com seus 2,2 milhões de discos vendidos no país, foi um exemplo de sucesso que saiu direto da televisão para as paradas.
- O Maná, com mais de 20 milhões de discos vendidos no mundo, sendo 600 mil no Brasil, é um caso clássico de como o rock em espanhol precisou de uma engenharia televisiva para furar o bloqueio no país.
- Outros artistas, como Belinda e Ximena Sariñana, também tentaram furar o bloqueio, investindo no carinho dos fãs brasileiros para compensar a falta de espaço nas rádios.
Com o streaming, a dependência das FMs ficou bem menor, e isso fez a diferença. Bad Bunny talvez seja o ápice de um processo de décadas, e ele não precisou de uma versão em português, de uma novelinha adolescente ou de uma novela das oito para ser compreendido. Ele usou palcos globais como o Grammy e o Super Bowl para expandir seu público, e sua sonoridade dançante e melódica é a cama para suas letras sobre assuntos que fazem sentido em San Juan ou em São Paulo.
O rapper se beneficia de uma estrada aberta por quem provou que “amor” significa “amor” em qualquer lugar. A estreia de Bad Bunny no país é a confirmação de que a “marolinha” latina de 2010 finalmente virou o tsunami que muitos já previam. Benito não inventou o interesse do brasileiro pelo espanhol, ele apenas colheu o que foi plantado por uma linhagem que insistiu em dizer que o Brasil também faz parte da vizinhança.
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