O Auto da Compadecida: Uma Encenação Tropicalista
O Grupo Maria Cutia de Teatro apresenta uma encenação inovadora de “O Auto da Compadecida”, peça escrita por Ariano Suassuna em 1955. Com direção de Gabriel Villela, a montagem combina o texto farsesco de Suassuna com músicas de Caetano Veloso, Sérgio Sampaio, Roberto Carlos e Zeca Baleiro, criando uma experiência única e tropicalista.
A encenação é marcada pela presença de sete atores que se revezam em 13 personagens, demonstrando habilidade e versatilidade. A estética visual barroca, característica das encenações de Gabriel Villela, agiganta a cena e transporta o público para um mundo de cores e sons vibrantes. As músicas, cantadas e tocadas ao vivo pelos atores, são fundamentais para a narrativa e evocam a nordestinidade da farsa de Suassuna.
- A marcha “Alegria alegria” de Caetano Veloso é uma das músicas que embalam a encenação.
- A música “Tropicália”, também de Caetano Veloso, é cantada com pequenas alterações na letra para aludir à personagem-título Nossa Senhora Compadecida.
- A marcha “Eu quero é botar meu bloco na rua” de Sérgio Sampaio é cantada na abertura e no fecho folião do espetáculo, com o público seguindo os atores como se seguisse um bloco.
A montagem de “O Auto da Compadecida” é encantadora e segue viva após seis anos em cartaz por festivais de diversas regiões do Brasil. O elenco valoriza a cena, o texto e as músicas, criando uma experiência teatral única e emocionante. A nordestinidade da farsa de Suassuna é acentuada pelo canto de “Carcará”, feito com trejeito que evoca Maria Bethânia.
A direção de Gabriel Villela realça a picardia do texto de Suassuna, enquanto as músicas de Roberto Carlos e Zeca Baleiro adicionam uma camada de profundidade e crítica social à encenação. O baioque de Zeca Baleiro tem verve que se afina com o espírito crítico da obra de Suassuna, criando um encontro extremamente feliz entre o encenador e o Grupo Maria Cutia de Teatro.
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