Museus Ingleses Resistem à Proposta de Cobrar Entrada de Turistas Estrangeiros
O governo britânico está “explorando opções” para cobrar entrada de turistas estrangeiros em museus nacionais da Inglaterra, o que gerou um debate intenso no setor cultural. A maioria das instituições se posicionou contra a medida, argumentando que a perda de receita em bilheteria de exposições, lojas e cafeterias superaria qualquer ganho com a cobrança de entrada.
A proposta ganhou força a partir de recomendações da parlamentar trabalhista Margaret Hodge, que sugere que, se o governo implementar um sistema universal de identidade digital, seria possível cobrar entrada apenas de visitantes internacionais. No entanto, ela mesma reconhece as limitações da ideia, afirmando que “traria menos de dez milhões de libras. Não vale a pena, e a injustiça, se não há uma forma clara de identificar quem é quem.”
Os críticos da proposta são numerosos e vão além das fronteiras dos museus. A Tate, o V&A e a Royal Armouries se manifestaram contra, argumentando que a medida afetaria negativamente a economia local e a cultura britânica. Em vez disso, o V&A defende uma taxa de 3% a 5% sobre estadias em hotéis, destinada ao financiamento da infraestrutura cultural.
No entanto, há também argumentos a favor da proposta. Mark Jones, ex-diretor do V&A, afirma que “os museus nacionais são parte essencial de nossa infraestrutura turística. Cobrar visitantes estrangeiros simplesmente reconhece que eles, como beneficiários relativamente abastados, deveriam contribuir.” Ele lembra que a França cobra entrada em todos os seus museus nacionais, incluindo o Louvre, e ainda assim é o destino turístico mais visitado do mundo.
O debate tem pano de fundo financeiro, pois o subsídio público aos museus nacionais britânicos caiu 18% em termos reais entre 2010 e 2023. A política de entrada gratuita para todos foi reintroduzida pelo Partido Trabalhista há 25 anos e é creditada com um aumento de 151% nas visitas às instituições que antes cobravam ingresso.
Algumas das principais instituições que se manifestaram contra a proposta incluem:
- A Tate
- O V&A
- A Royal Armouries
Uma decisão do governo não é esperada antes do fim do ano, e o debate continua a ser um tema de discussão no setor cultural britânico.
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