Descoberta de Múmias com Vírus HPV
Um estudo brasileiro recente realizou uma análise de dados genômicos de múmias encontradas no gelo e descobriu que elas estavam infectadas pelo papilomavírus humano tipo 16 (HPV16), um vírus que pode causar câncer. As duas múmias analisadas foram Ötzi, o Homem de Gelo, que viveu há cerca de 5.300 anos nos Alpes, e o Homem de Ust’-Ishim, que habitou a Sibéria há aproximadamente 45 mil anos.
Os pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) analisaram mais de 5,7 bilhões de leituras de sequenciamento genético recolhidas a partir dos restos mortais e encontraram fragmentos inequívocos de HPV16 em ambos. A equipe aplicou uma combinação de técnicas avançadas de laboratório, como a triagem taxonômica e o mapeamento direcionado contra genomas virais de referência.
Resultados do Estudo
- No caso de Ötzi, foi possível reconstruir cerca de 94% do genoma viral, com forte afinidade à sublinhagem HPV16A1, hoje predominante na Europa.
- Já na múmia siberiana, cuja preservação é mais limitada, os fragmentos recuperados indicam proximidade com a sublinhagem HPV16A4, associada a populações eurasiáticas antigas.
- Os fragmentos de HPV apresentaram marcas químicas típicas de DNA antigo, o que reforça que não se trata de “contaminação moderna”.
Esses resultados têm implicações diretas para o debate sobre a origem do HPV. Modelos evolutivos anteriores sugeriam que a principal linhagem oncogênica do HPV poderia ter sido introduzida no Homo sapiens por meio do cruzamento com neandertais. No entanto, os novos dados indicam que o HPV16 já circulava entre humanos modernos durante o Paleolítico Superior.
Os autores do estudo destacam que novas análises poderão investigar se o HPV estava integrado ao genoma humano ou presente de forma independente. Por ora, a descoberta já amplia de forma significativa o horizonte temporal conhecido de um dos vírus mais relevantes para a saúde humana contemporânea.
Este conteúdo pode conter links de compra.
Fonte: link