A Mobilização para Produzir Vacina Contra Covid Deixou Legado para o SUS
A rapidez com que a vacina contra a Covid-19 foi desenvolvida e produzida foi uma demonstração do nível de mobilização global para controlar a doença. No Brasil, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), por meio do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos), desempenhou um papel fundamental nesse processo.
A diretora do Bio-Manguinhos, Rosane Cuber, explica que a produção da vacina foi possível graças ao acúmulo de conhecimento e capacidade instalada do instituto. A Fiocruz já possuía uma história de transferência de tecnologia e produção de vacinas, o que facilitou o processo de produzir a vacina contra a Covid-19.
Transferência de Tecnologia e Produção
A transferência de tecnologia da vacina de Oxford/Astrazeneca para o Bio-Manguinhos foi um processo complexo que exigiu adaptações no instituto. A construção de um arcabouço jurídico para permitir a transferência de tecnologia de um produto que ainda não estava pronto foi um dos principais desafios.
A primeira leva da vacina Oxford/Astrazeneca chegou ao Brasil em janeiro de 2021, e a aplicação começou no dia 23 de janeiro. Em fevereiro de 2021, o Bio-Manguinhos começou a produzir a vacina em solo nacional, com a importação apenas do ingrediente farmacêutico ativo (IFA).
- A produção da vacina pela Fiocruz foi interrompida com o fim da pandemia, mas o legado desse período é significativo.
- A vacina produzida pelo Bio-Manguinhos foi o mais utilizado no Brasil em 2021, ano em que a imunização começou no país.
- Especialistas estimam que 300 mil vidas foram poupadas apenas no primeiro ano de imunização.
Legado e Futuro
O legado da produção da vacina contra a Covid-19 é significativo, e o Bio-Manguinhos continua a trabalhar em projetos importantes para o SUS. Uma das heranças diretas desse período é a pesquisa para criar uma terapia avançada para o tratamento da atrofia muscular espinhal (AME), doença rara e degenerativa.
Além disso, o Bio-Manguinhos também está trabalhando em uma vacina contra a Covid-19 utilizando a tecnologia de RNA mensageiro, a mesma utilizada na vacina da Pfizer. A plataforma de vetor viral utilizada na vacina de Oxford/Astrazeneca também está sendo estudada para o tratamento do câncer.
O desempenho do Bio-Manguinhos durante a pandemia aumentou a sua projeção global, e o instituto foi escolhido como centro de produção pela Coalização para Inovações em Preparação para Epidemias.
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