Descoberta Arqueológica no Deserto do Atacama
No Deserto do Atacama, no norte do Chile, uma equipe de arqueólogos fez uma descoberta fascinante que revela um dos mais antigos acidentes de trabalho já documentados. Os restos mumificados de um homem que viveu há cerca de 1.100 anos foram encontrados próximo a uma antiga mina de turquesa, e uma análise detalhada sugere que ele morreu devido a um desabamento de rochas na mina subterrânea.
O corpo foi encontrado originalmente na década de 1970, mas apenas uma análise completa realizada décadas depois, em 2023, permitiu reconstruir com maior precisão as circunstâncias da morte. A equipe de arqueólogos utilizou tomografias computadorizadas e radiografias para examinar o esqueleto da múmia e descobriu múltiplas fraturas não consolidadas na coluna vertebral superior, além de lesões nas costelas, na escápula e na clavícula.
Evidências de um Impacto Fatal
O padrão dos ferimentos indica um impacto contundente de grande intensidade concentrado na parte superior esquerda das costas, o que teria deslocado vértebras, causado o colapso da caixa torácica e resultou em uma fratura adicional próxima à base da coluna. Lesões desse tipo costumam ser associadas a danos graves na medula espinhal e apresentam alta taxa de mortalidade.
Curiosamente, não foram encontradas fraturas no crânio, no pescoço ou nos braços, o que sugere que o homem pode ter sido atingido enquanto estava inclinado ou de cabeça para baixo, possivelmente tentando proteger a cabeça no momento do desabamento.
Um Trabalhador dos Andes Pré-Incaicos
A análise antropológica indica que o homem tinha entre 25 e 40 anos quando morreu, e a datação por carbono situa sua vida entre 894 e 1016 d.C., no início do Período Intermediário Tardio nos Andes centrais. Junto ao corpo, os arqueólogos encontraram objetos funerários, como arco e flechas e um kit para rapé de substâncias alucinógenas, elementos que ajudam a contextualizar culturalmente o indivíduo.
Os pesquisadores acreditam que o homem era um mineiro que utilizava ferramentas simples, sem qualquer tipo de proteção, e que a extração de turquesa no Deserto do Atacama foi praticada por cerca de dois milênios. A mina próxima a El Salvador, onde o corpo foi encontrado, era uma exceção, pois possuía galerias escavadas, aumentando significativamente os riscos de acidentes.
- A extração de turquesa era uma atividade comum na região.
- Os mineiros usavam ferramentas simples, como pás de madeira e pedra.
- A falta de proteção aumentava o risco de acidentes.
Os pesquisadores ressaltam que novas pesquisas ainda são necessárias para compreender melhor as condições de vida e de trabalho dos antigos mineiros da região. No entanto, essa descoberta fornece uma visão fascinante da vida e da morte de um trabalhador dos Andes pré-incaicos.
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