Microplásticos são encontrados no estômago de macacos da Amazônia pela 1ª vez
Um estudo recente realizado por pesquisadores brasileiros identificou a presença de microplásticos no sistema digestivo de macacos bugios-vermelhos (Alouatta juara) que vivem em áreas protegidas da Amazônia brasileira. Essa descoberta representa a primeira evidência global de ingestão de plástico por um primata arborícola, um marco preocupante na crescente contaminação ambiental por resíduos.
A análise foi feita a partir de 47 indivíduos provenientes das Reservas de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá e Amanã, no estado do Amazonas. Dentre todos eles, apenas dois retornaram com resultados positivos para a presença de filamentos verdes de microplástico com menos de 5 milímetros de comprimento no estômago.
Segundo Anamélia de Souza Jesus, pesquisadora do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, “encontrar microplásticos em ambientes preservados soa como um alarme, pois mostra que a poluição plástica está chegando a lugares que presumíamos protegidos”.
Método de investigação
A investigação foi realizada de forma não invasiva, sem sacrificar nenhum animal. A equipe trabalhou com órgãos de macacos obtidos a partir de uma parceria de mais de 20 anos com comunidades ribeirinhas locais, que doaram restos de animais caçados para subsistência. Os estômagos dos macacos foram investigados em laboratório sob condições controladas, e os filamentos plásticos só foram visíveis ao microscópio.
Os resultados mostraram que os dois indivíduos que apresentaram microplásticos haviam sido caçados em 2015. Os insights gerados a partir das observações desses casos renderam material suficiente para a produção de um artigo científico, publicado na revista EcoHealth.
Consequências e recomendações
A presença de microplásticos em macacos arborícolas é um sinal de que a poluição plástica está se espalhando por todo o ecossistema amazônico. Isso reforça a urgência de investigar o impacto dos microplásticos sobre espécies florestais e sobre a saúde dos ecossistemas amazônicos.
Além disso, o estudo destaca a importância de uma melhor gestão de resíduos, especialmente em áreas remotas como a Amazônia. A disseminação de partículas de plástico pode ter efeitos fisiológicos e comportamentais ainda pouco compreendidos, e é fundamental que sejam tomadas medidas para reduzir a poluição plástica e proteger os ecossistemas mais remotos do planeta.
- A poluição plástica é um problema ambiental global que conecta práticas humanas de descarte e consumo ao desequilíbrio dos ecossistemas mais remotos do planeta.
- A presença de microplásticos em macacos arborícolas é um sinal de que a poluição plástica está se espalhando por todo o ecossistema amazônico.
- É fundamental que sejam tomadas medidas para reduzir a poluição plástica e proteger os ecossistemas mais remotos do planeta.
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