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Marte está girando mais rápido. E astrônomos acreditam saber por quê

Marte está girando mais rápido: descoberta que desafia a visão de um planeta inerte

Por décadas, Marte foi considerado um mundo essencialmente inerte, com atividade geológica cessada há bilhões de anos. No entanto, medições recentes estão obrigando cientistas a revisar esse diagnóstico. Dados coletados pela missão InSight, da Nasa, revelam que o planeta não apenas guarda segredos em seu interior, como também está girando progressivamente mais rápido.

A descoberta veio à tona em 2023, quando pesquisadores analisaram informações do experimento RISE, instalado no módulo de pouso. Os resultados indicam que a rotação marciana está acelerando cerca de 4 milésimos de segundo de arco por ano, encurtando o dia no planeta em frações de milissegundo.

Hipóteses iniciais e a busca por uma explicação

Inicialmente, hipóteses incluíam o acúmulo de gelo nas calotas polares ou processos de rebote pós-glacial, fenômenos capazes de redistribuir massa e alterar a rotação de um planeta. No entanto, um novo estudo propõe uma explicação mais profunda, ligada a uma enorme anomalia no manto sob a região de Tharsis, uma vasta província vulcânica que abriga alguns dos maiores vulcões do Sistema Solar.

Simulações baseadas em dados sísmicos e gravitacionais sugerem que essa região pode estar assentada sobre uma “anomalia de massa negativa” — uma área do manto composta por material menos denso que o entorno. Essa estrutura, possivelmente uma pluma ascendente vinda do manto, estaria se deslocando lentamente em direção à superfície.

Implicações da descoberta

A hipótese ganha força ao ser combinada com décadas de medições gravitacionais. Se confirmada, ela sugere que o planeta ainda retém calor interno suficiente para sustentar movimentos no manto — algo inesperado para um corpo relativamente pequeno, que deveria ter esfriado rapidamente ao longo de sua história.

Isso levanta uma questão mais ampla: será que planetas rochosos menores permanecem geologicamente ativos por mais tempo do que se imaginava? Além disso, a possível existência de plumas do manto ativas aumenta a probabilidade de atividade vulcânica recente em Marte.

  • A descoberta desafia a visão de Marte como um planeta inerte.
  • A aceleração da rotação de Marte pode ser resultado de processos profundos e ativos no manto.
  • A hipótese sugere que o planeta ainda retém calor interno suficiente para sustentar movimentos no manto.

Apesar dos avanços, os próprios autores reconhecem que há incertezas importantes. Novas missões focadas em medições gravitacionais e sísmicas seriam essenciais para confirmar a hipótese.

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