Mar mais salgado aumenta chances de El Niño, diz estudo
Um novo estudo publicado na revista Geophysical Research Letters revela que níveis elevados de salinidade nas águas do Pacífico ocidental aumentam significativamente a chance de um El Niño intenso. De acordo com a pesquisa, esse fator pode quase dobrar a probabilidade de eventos extremos.
Tradicionalmente, os cientistas explicam o El Niño a partir de variações na temperatura da superfície do mar e nos ventos do Pacífico tropical. No entanto, a nova pesquisa aponta que a salinidade do oceano, especialmente ao norte do Equador entre março e maio, funciona como um gatilho silencioso capaz de amplificar esse fenômeno climático global.
O papel invisível do sal
Na oceanografia, a salinidade se refere à quantidade exata de sal dissolvido na água, um fator que influencia diretamente a densidade da água. Águas mais salgadas são mais densas, o que afeta a organização das camadas oceânicas, o nível do mar e o deslocamento de correntes marítimas.
O estudo mostra que, na primavera, quando as águas equatoriais do Pacífico ocidental estão relativamente menos salgadas e as regiões ao norte apresentam maior salinidade, forma-se um gradiente que altera a “altura estérica” do oceano. Esse nome se refere às variações no nível do mar associadas à temperatura e à salinidade.
- A influência da salinidade foi historicamente negligenciada porque é mais difícil de medir e simular do que a temperatura.
- Os pesquisadores identificaram um padrão recorrente de salinidade no Pacífico ocidental a cada primavera, fortemente associado ao fortalecimento do El Niño no final do ano.
- Isso sugere que o sal não é apenas um coadjuvante, mas um agente ativo na transição do sistema oceano-atmosfera para a fase quente do ENSO.
Impactos globais e previsões mais precisas
A descoberta tem implicações práticas importantes. As previsões do El Niño são particularmente desafiadoras no início do ano, quando os sinais ainda são fracos. Se a salinidade ajuda a “preparar” o oceano para um evento extremo, seu monitoramento pode melhorar previsões sazonais com meses de antecedência.
Isso é crucial porque os efeitos do El Niño se espalham pelo planeta, influenciando regimes de chuva, a produção de alimentos, o risco de incêndios florestais e a disponibilidade de água.
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