Imagens do Oceano Ártico Profundo Flagram Espécies Raras
Um estudo recente conduzido por especialistas da Universidade de Hokkaido e da Universidade de Kyoto, no Japão, registrou imagens e sons de animais vivos em pontos profundos do Oceano Ártico, um dos ecossistemas menos observados da Terra. Os resultados foram publicados na revista PLOS One e oferecem uma visão única da vida marinha profunda nessa região.
Para o projeto, os cientistas utilizaram uma câmera subaquática sincronizada com um hidrofone, instalados a cerca de 260 metros da superfície do oceano, em um fiorde glacial de Inglefield Bredning, no noroeste da Groenlândia. O sistema de monitoramento foi desenvolvido para ser o menos invasivo possível, com câmera, gravador acústico, sensores oceanográficos e luzes LED vermelhas.
Descobertas
No total, os pesquisadores identificaram 478 organismos, distribuídos em pelo menos 11 grupos taxonômicos. Além de pequenos organismos típicos da região hiperbêntica, como anfípodes e copépodes, os cientistas registraram camarões decápodes, ctenóforos, heterópodes, peixes-caracol e até narvais.
- Os cientistas observaram comportamentos interessantes, como o nado lento para trás dos peixes, a fuga em pânico dos copépodes e a locomoção ondulatória característica dos vermes-flecha.
- Os hidrofones detectaram narvais praticamente todos os dias do experimento, com vocalizações intensas e o movimento da ponta de uma presa passando diante da câmera.
- Os pesquisadores também registraram a chamada “neve marinha”, partículas orgânicas e fibras microscópicas suspensas na água, constantemente movimentadas pelas correntes.
As observações impressionaram os próprios pesquisadores, que destacam a importância do estudo para entender o ecossistema do fundo do mar no Ártico, especialmente em face das mudanças climáticas aceleradas na região.
Conclusão
O estudo reforça a preocupação crescente com os impactos das mudanças climáticas no Ártico e destaca o potencial científico do monitoramento vídeo-acústico autônomo para novas pesquisas ecológicas em larga escala. Com a automatização da análise das imagens com inteligência artificial e visão computacional, os pesquisadores esperam abrir caminho para uma melhor compreensão do ecossistema do fundo do mar no Ártico.
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