Identificação do Risco de AVC: Um Estudo Inovador com Uso de IA
O acidente vascular cerebral (AVC) é uma das principais causas de morte e incapacidade no Brasil, ocorrendo quando o fluxo de sangue para o cérebro é interrompido. Um novo estudo conduzido no Hospital Moinhos de Vento visa mudar a forma de prevenir e tratar o AVC, utilizando inteligência artificial e angiotomografia computadorizada para identificar quais placas de gordura nas artérias do pescoço têm maior risco de se romper e causar um AVC.
Até pouco tempo, o risco era avaliado apenas pelo grau de entupimento da artéria. No entanto, o foco agora passa a ser a composição da placa — se ela é mais “macia” (rica em gordura) ou mais “dura” (com predomínio de tecido fibroso ou cálcio). O projeto de pesquisa teve início em janeiro de 2025 e visa analisar cerca de 100 pacientes que realizaram angiotomografia por suspeita de AVC.
Métodos e Resultados
As imagens estão sendo reprocessadas com o módulo CT Plaque Analysis, e os resultados finais devem ser apresentados no primeiro semestre de 2026. Além de avaliar a composição das placas, o grupo analisa a relação entre o volume de gordura e o de tecido fibroso, criando um índice de vulnerabilidade que pode prever o risco de embolização cerebral.
- A imagem gerada pela IA foi usada para escolher o tipo de stent implantado durante o procedimento.
- Os achados foram confirmados em tempo real por ultrassom intravascular (IVUS), comprovando a precisão da análise automatizada.
- O sistema gera uma imagem colorida e tridimensional da artéria, destacando as áreas de maior vulnerabilidade.
Os pesquisadores usaram um software de análise de imagem desenvolvido pela Siemens Healthineers, que aplica algoritmos de IA para identificar automaticamente o tipo de tecido dentro da placa — gordura, fibra ou cálcio — com base nos diferentes tons captados pela tomografia.
Conclusões e Perspectivas
O estudo piloto derivado do principal mostrou que o uso do software pode ser utilizado para escolher o tipo ideal de stent para um paciente. As análises preliminares sugerem que placas com maior proporção de núcleo lipídico e superfície irregular estão fortemente associadas à instabilidade.
A novidade está em transformar essas informações em ferramentas práticas de decisão clínica — tanto para indicar o tratamento quanto para definir como ele será feito. Com essa tecnologia, será possível prever o risco de AVC antes que ele aconteça e, quando o tratamento for necessário, escolher o dispositivo mais seguro para cada tipo de placa.
Os coordenadores do estudo acreditam que o uso combinado de IA e ultrassom intravascular representa um novo paradigma na medicina vascular, unindo diagnóstico avançado e personalização terapêutica em um mesmo fluxo de cuidado.
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