Humanos Ainda Estão Evoluindo? Estudo Genético de Harvard Responde
A pergunta sobre se a espécie humana continua evoluindo tem sido objeto de estudo e debate. Recentemente, uma pesquisa liderada pela Universidade Harvard nos Estados Unidos trouxe novas luzes sobre esse tema. A equipe de pesquisadores analisou o material genético de quase 16 mil pessoas que viveram na Eurásia Ocidental ao longo de 10 mil anos, identificando centenas de variantes genéticas que sofreram mudanças de frequência devido à seleção natural.
Anteriormente, estudos de DNA humano antigo haviam identificado apenas cerca de 21 casos de seleção direcional, o que sugeria que a seleção natural era rara desde a emergência dos humanos modernos no continente africano, há 300 mil anos. No entanto, a nova análise mostra que, na verdade, o processo de evolução e adaptabilidade das características humanas impulsionou a disseminação ou o declínio de centenas de variantes genéticas na Eurásia Ocidental desde o fim da Era do Gelo.
Muitas das variantes genéticas identificadas têm ligações conhecidas com características físicas, psicológicas e sociais complexas, incluindo o risco de diabetes tipo 2 e esquizofrenia. Investigar a evolução dessas características pode aprofundar a compreensão do comportamento, da saúde e das doenças, além de orientar os esforços de tratamento.
Novas Técnicas e Descobertas
A pesquisa utilizou novas técnicas para analisar os dados genômicos antigos e identificar os padrões de seleção natural. A equipe de pesquisadores desenvolveu métodos computacionais para isolar o sinal da seleção direcional de outras causas de mudanças na frequência gênica, como a migração humana, a mistura populacional e as flutuações genéticas aleatórias que ocorrem em pequenas populações.
Os resultados mostraram que cerca de 2% de todas as mudanças na frequência dos genes são resultados da seleção natural, o que corresponde a 479 versões de genes ou alelos selecionados em genomas da Eurásia Ocidental. Além disso, a equipe identificou que mais de 60% das variantes individuais de DNA que foram sinalizadas como fortemente selecionadas têm ligações documentadas com características humanas atuais, como pele clara, cabelo ruivo, risco de doença celíaca e doença de Crohn, entre outras.
- Pele clara
- Cabelo ruivo
- Risco de doença celíaca e doença de Crohn
- Imunidade à infecção pelo HIV e resistência à hanseníase
- Menor probabilidade de calvície de padrão masculino
- Menor risco de artrite reumatoide e alcoolismo
Essas descobertas têm implicações importantes para a compreensão da diversidade humana, da história e da saúde. A equipe de pesquisadores planeja utilizar as novas técnicas para buscar seleção direcional em outras populações ao redor do mundo e construir uma imagem mais clara do que é exclusivo de diferentes grupos e do que se generaliza entre as populações.
Além disso, os resultados poderão indicar aos cientistas novos fatores genéticos relacionados à saúde e à doença, o que poderá melhorar a capacidade dos especialistas de avaliar o risco de comorbidades, preveni-las e desenvolver novos medicamentos.
Este conteúdo pode conter links de compra.
Fonte: link