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Columbus, Ohio
Hora local: 12:48
Temperatura: °C
Probabilidade de chuva: %

Guia AQA para a 61ª Bienal de Veneza

A 61ª Bienal de Veneza começa com uma instrução inusitada: “respirar fundo, expirar, relaxar os ombros, fechar os olhos. Só então: a música continua”. Essa introdução reflete o tom que Koyo Kouoh, curadora suíço-camaronesa, escolheu para esta edição, que se propõe a ser mais discreta.

A exposição internacional, intitulada “In Minor Keys” [Em Tons Menores], é um programa que orienta a edição, focando em “tonalidades menores”, ou seja, tons quietos, frequências mais baixas e consolações da poesia. A curadora buscou criar um ambiente que se assemelha a ilhas pequenas com ecossistemas ricos, como jardins, pátios e pistas de dança, universos conviviais que nos sustentam especialmente nos momentos mais sombrios.

A exposição reúne 110 artistas, duos, coletivos e organizações que refletem a “geografia relacional” de Koyo Kouoh, encontros com artistas ao longo de sua vida. Infelizmente, a curadora faleceu em 2025, antes da abertura da exposição, mas sua equipe selecionada realizou a exposição de acordo com sua visão.

Como a Bienal funciona?

A Bienal de Veneza é composta por duas partes principais: a exposição internacional e os pavilhões nacionais. A exposição internacional é a mostra assinada pelo curador ou curadora convidado, que ocupa o Padiglione Centrale dos Giardini, o Arsenale e o Forte Marghera. Já os pavilhões nacionais são escolhidos por cada país participante, que tem autonomia total para escolher o artista ou os artistas que vai representá-lo.

Além disso, há uma terceira camada: os eventos colaterais, que são exposições, performances e projetos independentes que acontecem simultaneamente em Veneza durante a Bienal, mas sem vínculo direto com a organização oficial.

Pavilhões que merecem atenção

Entre os pavilhões que merecem atenção, destacam-se:

  • Brasil — Comigo Ninguém Pode, com Rosana Paulino e Adriana Varejão, que exploram a ferida colonial e a memória apagada pela escravidão.
  • Argentina — Matías Duville, que transforma o desenho em território caminhável, deslocando o gesto gráfico da superfície bidimensional para uma cartografia de sal branco e carvão triturado.
  • Canadá — Abbas Akhavan, que opera na chave dos deslocamentos geopolíticos e da arquitetura como dispositivo de poder.
  • Reino Unido — Lubaina Himid, que é uma das figuras centrais do movimento Black British Art e que explora a presença negra na história da arte europeia.

Exposições paralelas que valem o desvio

Além da programação oficial, há exposições independentes que ocupam palácios, museus e igrejas por toda a cidade. Destacam-se:

  • Marina Abramović — “Transforming Energy”, que coloca seu trabalho em diálogo direto com as obras renascentistas da coleção da Gallerie dell’Accademia.
  • Lee Ufan — “Lee Ufan”, que celebra seus 90 anos e sete décadas de prática como figura central do movimento japonês Mono-ha.
  • Joseph Kosuth — “The-exchange-value-of-language-has-fallen-to-zero”, que investiga como construímos significado a partir da linguagem.

Essas exposições e pavilhões oferecem uma visão ampla e diversa da arte contemporânea, tornando a Bienal de Veneza um evento único e imperdível.

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