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Governança clínica sustentou qualidade durante a expansão da Rede D’Or, aponta estudo

Governança Clínica na Rede D’Or: Um Modelo de Sucesso

A Rede D’Or, uma das maiores redes hospitalares do Brasil, implementou um modelo de governança clínica unificada que sustentou melhorias consistentes em indicadores de segurança do paciente ao longo de nove anos, mesmo diante da rápida expansão da rede e do período mais crítico da pandemia de Covid-19. Isso foi comprovado por um estudo conduzido pelo Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR), em colaboração com a Rede D’Or, e publicado na revista científica BMC Health Services Research.

O estudo acompanhou a evolução de indicadores assistenciais em 57 hospitais gerais de alta complexidade, distribuídos pelas cinco regiões brasileiras, entre 2016 e 2024. No período, a Rede D’Or mais que dobrou o número de unidades analisadas — de 25 para 57 hospitais incorporados progressivamente ao sistema. A maior parte dos indicadores apresentou melhora ou estabilidade, e nenhum registrou piora consistente.

Desafios da Gestão em Saúde

Manter padrões elevados de qualidade enquanto a estrutura cresce é um dos principais desafios da gestão em saúde. De acordo com Helidea Lima, pesquisadora do IDOR e diretora de Qualidade Assistencial da Rede D’Or, “existe uma diferença substancial entre gerenciar um número limitado de hospitais e manter consistência de qualidade técnica em uma rede com 79 unidades. Escalar sem perder qualidade é um dos maiores desafios da saúde”.

O modelo de governança clínica implementado pela Rede D’Or inclui protocolos assistenciais comuns a toda a rede, auditorias periódicas, monitoramento contínuo de indicadores, fortalecimento dos Núcleos de Segurança do Paciente, programas permanentes de capacitação, reuniões mensais para comparação de resultados entre hospitais e compartilhamento sistemático de boas práticas.

Resultados do Estudo

Os pesquisadores analisaram dez indicadores amplamente utilizados para medir segurança do paciente e qualidade assistencial. Ao longo dos nove anos, a maior parte dos indicadores apresentou evolução favorável. Houve redução das infecções primárias da corrente sanguínea associadas ao uso de cateter venoso central, das infecções do trato urinário relacionadas ao cateter vesical, das lesões por pressão e das quedas de pacientes internados.

Além disso, o estudo permitiu observar o comportamento dos indicadores antes, durante e após a pandemia de Covid-19. Na Rede D’Or, alguns indicadores sofreram impacto temporário, mas após a fase mais aguda, esses indicadores retomaram a tendência de melhora observada antes de 2020.

  • Redução das infecções primárias da corrente sanguínea associadas ao uso de cateter venoso central
  • Redução das infecções do trato urinário relacionadas ao cateter vesical
  • Redução das lesões por pressão
  • Redução das quedas de pacientes internados

O estudo também investigou se o investimento contínuo em protocolos, auditorias, treinamento e monitoramento comprometeria o desempenho financeiro das instituições. A análise não identificou associação consistente entre a melhora dos indicadores assistenciais e pior desempenho econômico ao longo do período.

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