Golfinhos precisam “gritar” mais alto para serem ouvidos em meio a navios
No Estreito de Gibraltar, uma das rotas marítimas mais movimentadas do planeta, as baleias-piloto estão aumentando o volume de suas vocalizações para tentar se ouvir em meio ao ruído constante de navios. No entanto, segundo um novo estudo, esse esforço talvez não seja suficiente para compensar os altos níveis de poluição sonora da região.
Os golfinhos são animais extremamente sociais, que viajam em grupos e se comunicam por meio de um sistema de cliques, assobios e vocalizações. A poluição sonora causada pelo tráfego marítimo no Estreito de Gibraltar é prejudicial a esses animais, pois reduz a eficácia de sua comunicação.
Método de estudo
Para investigar isso, a equipe monitorou a atividade de 23 baleias-piloto entre 2012 e 2015 usando gravadores presos aos animais com ventosas. Os dispositivos registraram mais de 1.400 sons emitidos pelas baleias, que foram divididos em quatro grupos: sons de baixa frequência, sons de pulsos curtos, sons de alta frequência e sons de dois componentes.
Além das vocalizações, os pesquisadores analisaram o ruído ambiente provocado pelos navios que cruzam o Estreito de Gibraltar. Os níveis de ruído variavam entre 79 e 144 decibéis, o que é equivalente a ruídos que vão desde o ambiente de um restaurante barulhento até o som de um aspirador de pó a curta distância.
Resultados do estudo
Os pesquisadores observaram que as baleias-piloto tentam compensar a poluição sonora aumentando a intensidade de alguns sons. No entanto, esse comportamento só foi identificado em dois tipos de chamados: de alta frequência e de pulsos curtos, que são mais suaves.
Os chamados de baixa frequência e os sons de dois componentes não apresentaram aumento de volume. Essas vocalizações são fundamentais para que as baleias localizem integrantes do grupo após mergulhos profundos em busca de alimento.
- As baleias-piloto estão aumentando o volume de suas vocalizações para tentar se ouvir em meio ao ruído constante de navios.
- A poluição sonora causada pelo tráfego marítimo no Estreito de Gibraltar é prejudicial a esses animais.
- Os pesquisadores observaram que as baleias-piloto tentam compensar a poluição sonora aumentando a intensidade de alguns sons.
Os autores do estudo afirmam que as baleias-piloto conseguem lidar apenas parcialmente com o aumento dos ruídos vindos de embarcações. Para eles, compreender melhor as consequências ecológicas desse fenômeno será fundamental para reduzir os impactos da poluição sonora na comunicação desses animais.
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