Fiocruz Apresenta Pesquisa Abrangente sobre a Saúde dos Idosos no País
A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), apresentou os resultados da terceira onda do Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos (Elsi-Brasil), considerada uma das mais abrangentes pesquisas nacionais sobre envelhecimento no país.
A pesquisa disponibilizará cerca de 100 indicadores relacionados à saúde da população com 60 anos ou mais, abrangendo diferentes aspectos, como condições de vida, funcionalidade, ambiente social e acesso a políticas públicas. Os resultados mostram que fatores urbanos, sociais e estruturais têm papel decisivo na qualidade de vida da população idosa.
- 42,7% dos idosos que vivem em áreas urbanas relatam medo de cair por causa de defeitos em calçadas, passeios ou vias públicas próximas de suas casas.
- 12,1% dos idosos brasileiros consideram a vizinhança onde vivem muito insegura em relação à violência e criminalidade.
- 34,4% dos idosos apresentam níveis compatíveis com hipertensão arterial sistêmica.
Os dados reforçam a urgência de políticas públicas voltadas à adaptação das cidades para uma população cada vez mais envelhecida, incluindo acessibilidade, segurança viária, mobilidade e planejamento urbano inclusivo. Além disso, a pesquisa destaca a importância do rastreamento regular e do fortalecimento da atenção primária para evitar subdiagnóstico e complicações.
A perda da capacidade funcional também é um eixo central do estudo, com 20,4% dos idosos brasileiros apresentando dificuldade para realizar ao menos uma atividade básica da vida diária. A falta de apoio é outra fragilidade importante, com apenas 37,9% dos idosos que apresentam dificuldades para realizar uma ou mais atividades da vida diária recebendo ajuda.
O painel de indicadores sobre envelhecimento, disponível na plataforma do Elsi-Brasil, permitirá acesso público e ampliado a informações sobre múltiplas dimensões do envelhecimento no país. A ferramenta foi criada para apoiar pesquisadores, gestores públicos, profissionais de saúde e sociedade civil no monitoramento contínuo das condições de vida e necessidades da população idosa brasileira.
Os resultados reafirmam o papel central do Sistema Único de Saúde (SUS) como principal base de cuidado para a população idosa brasileira, com cerca de dois terços das pessoas com 60 anos ou mais tendo o SUS como única fonte de atenção à saúde. A Estratégia Saúde da Família (ESF) também se destaca, com 69,2% dos idosos brasileiros vinculados a essa iniciativa.
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