Existe idade certa para dar celular a uma criança? Especialistas respondem
De acordo com dados da TIC Kids Online Brasil, 93% dos jovens brasileiros com idade entre 9 e 17 anos utilizam o celular para fazer trabalhos, assistir a vídeos online e navegar em redes sociais. No entanto, estudos científicos apontam para os impactos do uso precoce do celular no desenvolvimento cognitivo, emocional e social de crianças e adolescentes.
Para entender melhor essa questão, conversamos com a pediatra Dra. Anna Dominguez Bohn e o neurologista infantil Dr. Paulo Lobão. Eles explicam que o uso excessivo de smartphones pode afetar diferentes áreas do desenvolvimento infantil, incluindo atrasos de linguagem, dificuldades de socialização, problemas de atenção e alterações na regulação emocional.
Impactos do uso do celular no desenvolvimento infantil
Os especialistas alertam que a exposição precoce às telas está associada a riscos como depressão, obesidade e problemas de sono. Além disso, o uso excessivo de smartphones pode substituir experiências essenciais para o amadurecimento cerebral, como brincadeiras, conversas e exploração do ambiente.
De acordo com a Dra. Anna Dominguez Bohn, o uso frequente de dispositivos móveis pode levar a mudanças na arquitetura do cérebro, resultando em menor foco, menor atenção e menor memória. Isso pode aumentar a impulsividade, a ansiedade e os sintomas depressivos na adolescência e na vida adulta.
Qual a idade mais indicada para uma criança ter o próprio celular?
Os especialistas afirmam que não existe uma idade universal capaz de determinar quando uma criança está pronta para ter um smartphone próprio. A maturidade emocional, a capacidade de seguir regras e o contexto familiar são fatores mais importantes do que a idade cronológica isoladamente.
No entanto, algumas referências apontam para a possibilidade de acesso a um celular por volta dos 13 anos, especialmente por questões relacionadas à comunicação e à autonomia. O neurologista Paulo Lobão sugere que, antes dos 11 ou 12 anos, o celular próprio raramente é necessário e costuma oferecer mais riscos do que benefícios.
O que os responsáveis podem fazer para limitar e controlar o uso dos smartphones?
Os especialistas recomendam estabelecer limites claros e consistentes, começando pelo exemplo dado pelos próprios adultos. É importante criar regras claras sobre horários, tipos de conteúdo permitidos e tempo máximo de utilização.
Além disso, é fundamental participar ativamente do uso da tecnologia, conversar sobre segurança digital, privacidade e riscos presentes na internet. O objetivo é preparar crianças e adolescentes para usar a tecnologia de forma consciente, equilibrada e segura.
- Retirar aparelhos dos quartos durante a noite
- Evitar o uso de celulares durante refeições
- Incentivar atividades físicas e brincadeiras ao ar livre
- Utilizar recursos de controle parental nos sistemas operacionais
Em resumo, a pergunta não é apenas quando dar um celular para uma criança, mas como garantir que esse acesso aconteça de forma responsável, preservando o sono, a socialização, a aprendizagem e o bem-estar emocional das novas gerações.
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