Estudo Mostra Controle Inédito de Câncer de Pulmão Avançado por Mais de Sete Anos
Um estudo recente publicado no periódico Annals of Oncology mostra que mais da metade dos pacientes com câncer de pulmão de não pequenas células permaneceu sem piora da doença durante pelo menos sete anos após iniciar tratamento com o medicamento lorlatinibe (LORBRENA). Esse resultado é considerado um marco para a oncologia, representando o período mais longo já observado de controle da doença nesse grupo de pacientes.
A investigação avaliou pessoas com câncer que apresentavam uma alteração no gene ALK, uma mutação que funciona como um “interruptor” que estimula o crescimento do tumor e está presente em cerca de 3% a 5% dos casos do câncer de pulmão de não pequenas células. Para esses pacientes, terapias-alvo como o lorlatinibe atuam diretamente no mecanismo que impulsiona a doença.
Resultados do Estudo
Os resultados do estudo mostram que 55% dos pacientes tratados com o lorlatinibe continuavam vivos sem sinais de progressão do câncer, enquanto no grupo que recebeu o tratamento de comparação, o crizotinibe, esse índice foi de apenas 3%. Além disso, o estudo mostrou que o lorlatinibe reduziu em 81% o risco de crescimento do tumor ou morte em comparação com o grupo controle.
Outro resultado considerado especialmente relevante do estudo envolve o controle das metástases cerebrais, quando o câncer se espalha para o cérebro. O estudo mostrou que o lorlatinibe reduziu em 94% o risco de progressão da doença no sistema nervoso central em comparação com o tratamento de referência.
Impacto para o Brasil
O câncer de pulmão é a principal causa de morte por câncer no mundo. No Brasil, o INCA estima cerca de 32 mil novos casos por ano. O medicamento avaliado no estudo foi aprovado pela Anvisa em 2020 e passou a ser indicado como tratamento inicial para pacientes com câncer de pulmão ALK-positivo em 2021, além de integrar o rol de cobertura obrigatória dos planos de saúde desde 2022.
Os resultados divulgados agora reforçam uma tendência cada vez mais clara na oncologia: o avanço das terapias-alvo, as quais estão permitindo que alguns tipos de câncer metastático sejam controlados por períodos antes considerados inalcançáveis.
- 55% dos pacientes tratados com lorlatinibe continuavam vivos sem sinais de progressão do câncer após sete anos.
- O lorlatinibe reduziu em 81% o risco de crescimento do tumor ou morte em comparação com o grupo controle.
- O medicamento reduziu em 94% o risco de progressão da doença no sistema nervoso central em comparação com o tratamento de referência.
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